A carne não é fraca

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Uma pergunta é preciso ser feita neste instante brasileiro:

Será que só a carne é fraca?

Se fatiarmos, de forma reflexiva, todos os cortes e recortes desse “bode esperneante” que colocaram na sala do País para identificar onde está o erro, teríamos que tecer um rosário quilométrico:

Excessos; inexperiência e ou inaptidão para o exercício da função; sensacionalismos múltiplos; inconsequências sem a devida mensuração dos danos; estrelismos; despreparo; desvirtuamento da realidade…

Tem mais: venda de dificuldades para obtenção de vantagens; má gestão empresarial e o mais importante deles: corrupção sistêmica.

São tantos e sortidos equívocos contidos nesse enredo digno de uma ópera bufa sem final feliz que nos prolongaríamos ad infinitum.

Vou me ater neste momento, porém, ao resgate de um momento de minha vida para ilustrar, de forma pragmática, a origem desse erro.

Entro no túnel do tempo e retorno uns 50 anos.

Era início da década de 70. Vizinho a nossa casa em Recife morava um primo de minha mãe, funcionário público federal de carreira que trabalhava no Ministério da Agricultura.

Não sei como nem porquê ele se aproximou umbilicalmente de um renomado e influente político da época, detentor de importante mandato federal.

Achava curioso que, tendo o poder político que tinha, fizesse tanta questão da indicação do chefe de fiscalização sanitária do Ministério da Agricultura em Pernambuco.

Minha inocência na época também não atinava porque o primo de minha mãe se eternizava exatamente naquele cargo.

Um entendimento que chegaria anos depois, após a deflagração de um escândalo que culminou com a inédita cassação do mandato do político poderoso.

O Senado Federal até tentou livrá-lo do castigo merecido, absorvendo-o por margem mínima, mas um ato institucional o cassou.

No conjunto de malfeitos que culminaram com a suspensão de sua carreira política estavam, justamente, os desmandos e o tráfico de influência junto a órgãos públicos.

Lição!

Não é de hoje – não mesmo! – que se pratica fisiologismo político nas indicações de cargos comissionados nas esferas públicas.

E realmente acredito que qualquer autocrítica nacional precisa atacar e rever os critérios de indicações e apadrinhamentos políticos – pois 99 por cento deles visam interesses nada republicanos.

Se vamos fazer nosso dever de casa, não podemos pular esta estratégica lição.

Uma coisa é certa: mesmo com todo o estrago feito neste instante, o Brasil seguirá – cada dia mais – consolidando seu perfil de líder mundial na produção de carnes e grãos para o mundo.

Só precisamos adequarmos nossa estrutura burocrática para essa realidade.

Ou seja: o Brasil político e a gestão pública precisam estar à altura do Brasil que produz como referência mundial.

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