Afronta

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Nem a imprensa e nem a oposição. O inimigo da segurança pública da Paraíba é a realidade de uma bandidagem cada vez mais disposta afrontar a retórica oficial, com ações concretas, sem gastar a saliva e o discurso que nossas autoridades entoam para minimizar o estado de intranqüilidade que ora assistimos.

Basta dizer que no dia em que moradores dos Bancários, em João Pessoa, iriam marchar pela Paz, no próprio bairro bandidos invadiram um famoso supermercado de lá e fizeram um arrastão, constrangendo e humilhando clientes, aumentando a tensão entre os habitantes da região e corando quem acha que está tudo sob controle.

Minutos depois, há menos de 8 km do supermercado, na Avenida Pedro II, um dos corredores mais movimentados da Capital desse Estado, alguém sacava um revólver e matava um homem com um tiro na cabeça no meio da rua, pleno da certeza de consumar a ação sem ser molestado ou encontrado pela polícia.

Mais cedo, marginais explodiram pela segunda vez somente neste ano um caixa eletrônico na cidade de Puxinanã. Foi o 73º caso na Paraíba em 2015, segundo dados do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Estado. Dados que impressionam pelo curto espaço de tempo.

Histórias e situações não faltam para ilustrar essa preocupação que, diferente do que pensam setores do governo, não pertence a analistas políticos ou críticos contumazes da atual gestão. Está estampado na cara das pessoas, no dia-dia, nas conversas na vizinhança ou no bate-papo no trabalho.

Esse espaço não tem e nem nunca terá a pretensão de desancar o governo ou desqualificá-lo. Talvez seja um dos poucos jornalistas há reconhecer avanços com a política das Unidades de Polícia Solidária e melhoria da estrutura a serviço da Polícia. Mas é preciso reconhecer, também, a insuficiência diante da demanda que aí está.

Daqui ecoa apenas uma singela tentativa de, quem sabe, reverberar o apelo popular e alertar para o gemido das ruas. Pro bem do próprio governo, também, esse grito não pode ser abafado pela falta da autocrítica interna ou excesso de presunção.

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