Carreiras em diplomacia têm salários de até R$ 15 mil; veja dicas para concursos

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A profissões públicas de carreira internacional, como diplomacia, passaram por mudanças consideráveis no Brasil nos últimos dez anos. Antigamente, a carreira era elitista e por indicação, não havendo seleção pública nos moldes atuais. Antes, as provas ocorriam apenas em Brasília, constituídas por uma seleção que compreendia prova objetiva com exigência de temas muito particulares, a exemplo de ‘autoria de peça de ópera’. A prova oral era 100% subjetiva, de acordo com a indicação, assim como a prova de idioma, que exigia que o candidato não tivesse ‘sotaque’.

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Atualmente, a diplomacia exterior é possível para todos já que houve democratização das carreiras internacionais com a definição das matérias e dos temas a serem cobrados na seleção, que agora ocorre por meio de concurso público. De acordo com Isabelle Machado, diretora da Damásio Educacional na Paraíba, a prova não deixou de ser difícil, mas passou a ser uma avaliação justa e equilibrada.“Quem passa em concurso de diplomata é quem mais estuda, não precisando ter um sobrenome famoso nem que uma pessoa lhe indique, apenas estudando”.

Paulo Cezar Braga é natural de São José dos Campos, em São Paulo, e hoje exerce o cargo de segundo-secretário na Embaixada de Buenos Aires, Argentina. Ao Portal Correio, o diplomata contou que a carga horária diária de estudos era bem complexa.

“Eu tive dois anos de dedicação exclusiva para o concurso. No último ano, eu estudava de 14 a 15 horas por dia, além de cursos preparatórios. Porém, isso varia muito de pessoa para pessoa”, comentou.

Banca examinadora

Para ser aprovado em um concurso público, o ‘concurseiro’ deve estudar muito, mas também outro fator, que muitos candidatos deixam de lado, é determinante: conhecer o estilo da banca examinadora. Essa etapa é ainda mais evidente quando você faz algum concurso realizado pela Cespe, por exemplo.

O Cespe/UnB é o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos, conhecido por suas provas complexas. A instituição é, sem dúvidas, uma das maiores bancas organizadoras do país.

Mito

De acordo com Isabelle Machado, diretora da Damásio Educacional na Paraíba, muitas pessoas se equivocam em dizer que apenas graduados em Direito podem ser diplomatas. Ela afirma que é um mito.

“Qualquer candidato, graduado em qualquer área, pode ocupar carreiras públicas internacionais através da diplomacia. De fato, as carreiras estrangeiras, atualmente, trazem em seus editais temas que precisam ser dominados. Não há distinção, discriminação ou segmentação. Tais temas devem ser estudados com os olhos do examinador da seleção. Os ‘concurseiros’ devem ter em mente que diplomatas são os Defensores dos Interesses do Governo Brasileiro perante as autoridades internacionais”, concluiu.

Dicas

Ainda de acordo com Isabelle, é fundamental que as opiniões pessoais sejam esquecidas no concurso. “As opiniões devem ser congeladas. Deve-se estudar os temas de forma técnica, com foco no edital, com análise nas provas anteriores, de acordo com o sistema de avaliação da banca. Diferente do que ocorre em seleções para carreiras jurídicas, onde a capacidade de dissertação e defesa de tese em questões subjetivas é vista como algo positivo, nas seleções das carreiras públicas internacionais não. O candidato deve responder de forma direta, reta, sem defesas, apenas com objetividade e, de preferência, na forma que a banca espera que seja feito. Por isso, o curso preparatório do CLIO sai na frente, sem dúvidas”, comentou.

Clio

Além da prova mais justa, têm-se também no mercado, atualmente, excelentes cursos de preparação e formação para quem visa à carreira diplomática. Segundo Isabelle, o curso Clio, realizado na Damásio, é de, no mínimo, 1 ano.

“O curso é completo, desde a preparação para prova objetiva, subjetiva, entrevista e prova de idioma. A Damásio disponibiliza um ‘workshop’ de Carreiras Internacionais, gratuitamente, aqui. O conteúdo é excelente para quem pensa em carreira internacional e para quem não a conhece. Certamente será surpreendido, e ficará encantado com as possibilidades que ela oferece”, opinou.

Paulo Cezar, diplomata entrevistado pelo Portal Correio, confessou que o curso Clio teve uma importância extrema na época de preparação. “O curso, pra mim, foi muito importante na época. Como o volume de estudo é muito grande, ele ajuda a direcionar pelo que é mais significativo.”

Segundo a gestora da unidade da Damásio em Patos, a diretora Tayana Palmeira, os cursos da Damásio de Carreiras Internacionais são online ou telepresenciais, o que torna a possibilidade de todos terem acesso ao melhor conteúdo e dedicar-se na preparação no local onde estiver.

“São muitos os desafios em busca de aprovação em funções publicas e nas carreiras internacionais não seria diferente, mas, no fim, o que se colhe, sem dúvida, apaga todas as dificuldades enfrentadas com a aprovação Na unidade Damásio Patos, você também conta com estrutura especialmente formada e pensada para os alunos dos cursos Carreiras Internacionais, disponibilizando cabines para estudos, sala para estudos em grupo, consultoria vocacional e acompanhamento, além da transmissão das aulas conforme horário a ser consultado na unidade”, completou Tayana.

O curso conta com simulados, material de apoio, plantão de dúvidas, corpo docente especializado e certificado de conclusão.

Áreas dentro das carreiras internacionais (no Brasil)

PÚBLICA, através dos concursos públicos

Por meio desses processos de seleção, o candidato aprovado estará apto a ocupar cargos de servidor público, na área internacional (veja exemplos de carreiras internacionais com seleção pública aqui;

PRIVADA: Especialização

Por meio de cursos de pós-graduação, em Relações Internacionais ou Direito Internacional, o aluno estará preparado para cargos no setor privado e na área acadêmica. Atualmente, encontram-se em andamento várias oportunidades de trabalho fora do país, seja como profissional já graduado, seja como bolsista ou acadêmico. Bons exemplos podem ser consultados neste site.

– Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores – MRE

Ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é a forma mais tradicional de ingressar em uma carreira internacional.

O Instituto Rio Branco (IRBr), vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), é responsável pela formação do corpo diplomático brasileiro.
Desde a sua criação, em 1946, houve concurso de seleção todos os anos, sem exceção.

O diplomata ocupa cargos em embaixadas e consulados brasileiros ao redor do globo, e tem como responsabilidade a defesa dos interesses do país no mundo, por meio de negociações comerciais, políticas e econômicas.

Sobre a carreira de diplomata:

• Toda graduação em ensino superior é válida;
• Não há limite de idade para realizar o concurso;
• Não precisa ser poliglota, mas ter Inglês em nível avançado e conhecimentos básicos de Espanhol e Francês;
• Não há indicações políticas para ocupar o cargo; basta ser aprovado no CACD.

– Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (OfChan/MRE)

O cargo de Oficial de Chancelaria também é vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e possui uma função administrativa. É atribuição do profissional manter as representações brasileiras no exterior em funcionamento, o que exige capacidade de negociação com autoridades estrangeiras e consciência das necessidades do corpo diplomático brasileiro e das leis de países estrangeiros.

Assim como o diplomata, o Oficial de Chancelaria passa parte de sua carreira em Brasília e outra parte em cidades nas quais se encontram representações diplomáticas brasileiras.

Atualmente são 138 embaixadas espalhadas por todos os continentes. Todas as representações brasileiras no exterior demandam a presença de diplomatas e oficiais de chancelaria.

– Analista de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (ACE/MDIC)

A economia de um país depende do sucesso de suas estratégias de comércio exterior. Nada mais natural, portanto, que uma das mais relevantes oportunidades de carreira internacional seja oferecida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O Analista de Comércio Exterior (ACE) atua em atividades do governo federal relacionadas ao comércio internacional, a exemplo de negociações internacionais e elaboração de políticas e gestão de comércio exterior.

– Oficial de Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)

As atividades de inteligência podem ser definidas como o conjunto de ações orientadas para a produção e difusão de conhecimentos, com o objetivo de auxiliar no planejamento, execução e acompanhamento das políticas de Estado. A Agência Brasileira de Inteligência é o órgão que planeja, executa e coordena essas atividades.

Conforme a Lei nº 11.776, de 17 de setembro de 2008, as atribuições do Oficial de Inteligência relacionam-se a produção de conhecimentos de inteligência, ações de salvaguarda de assuntos sensíveis e atividades relacionadas à segurança da informação.

Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores é o órgão da administração pública federal responsável pelas relações do Brasil com os demais países e pela participação brasileira em organizações internacionais.

O Itamaraty conta com repartições no Brasil e no exterior. No exterior, as repartições são chamadas “postos”. Há três tipos básicos de posto: a Embaixada, responsável pelas relações bilaterais entre o Brasil e o país onde está instalada (motivo pelo qual sua sede sempre está localizada nas capitais); a Repartição Consular, responsável principalmente pela assistência a brasileiros no exterior; e a Missão ou Delegação credenciada junto a organizações internacionais como a ONU e a OMC.

Ao Portal Correio, o assessor de comunicação do Itamaraty Rubens Campana disse que o procedimento para quem passa nos concursos não é burocrático.

“O ingresso na carreira diplomática se dá mediante concurso realizado pelo Instituto Rio Branco, órgão encarregado da seleção, treinamento e aperfeiçoamento de diplomatas. Com a aprovação no concurso, o candidato faz jus à entrada na classe de terceiro-secretário e pode ser promovido para as classes seguintes. Para isso, o processo é feito de maneira natural, como de costume em todos os concursos públicos”, comentou.

Papel do diplomata

Segundo Paulo Cezar, segundo-secretário brasileiro que atua na Embaixada de Buenos Aires, o diplomata internacional tem um papel fundamental no seu país de origem.

“No exterior, nosso papel principal é informar a Brasília sobre a situação política interna do país em que estamos; sobre a politica internacional, economia e outros tantos temas. Também representamos o Brasil em negociações e em reuniões internacionais. Hoje o grande desafio é retransmitir informações com qualidade e pensamentos críticos que sejam relevantes pras relações bilaterais”, finalizou.

Remuneração e custo de vida

Aqui no Brasil, o salário inicial bruto de terceiro-secretário foi de R$ 13.623,19 até dezembro de 2013; em janeiro de 2014, o salário foi reajustado para R$ 14.290,72. No último concurso, realizado em 2016, o valor do salário para terceiro-secretário foi de R$ 15.005, 26. Independentemente de reajuste, o valor do subsídio é progressivamente aumentado conforme se obtêm promoções na carreira. Também pode vir a ser acrescido de adicionais por desempenho de chefia, assessoria e assistência.

No exterior, os diplomatas são remunerados de acordo com o custo de vida do país para o qual foram designados, além de ajuda de custo e auxílio-moradia que cobrem parcialmente as despesas com mudança e habitação.

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