Cidades do meu amor

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Nem sou tão velho assim. Mas sou
da geração dos Beatles e dos Rolling Stones, da mini-saia, do movimento Hippie
e da pregação da paz e amor. Sou do tempo dos festivais de música,  que teve o privilégio de assistir o
surgimento da Tropicália e  dos grandes
talentos da MPB como Gal, Chico, Gilberto Gil , Roberto Carlos e Caetano
Veloso. Vibrei com  o Tri-Campeonato  Mundial do México  e já sentei na arquibancada do Maracanã para
ver Pelé jogar.

Carioca, “da gema e do ovo”, como
se costuma dizer, passei pelo Tunel Rebouças na época de sua construção.
Testemunhei  grandes tragédias como a queda
do elevado  Paulo de Frontine do  incêndio do Andraus que deixaram centenas de
mortos. Vivenciei o período da Ditadura Militar. Me assustei  com a chegada do homem à Lua, aprendi
datilografia  e atravessei  as mudanças operadas com o advento da
informática no comportamento da humanidade.

Criado na zona sul do Rio de
Janeiro, entre Botafogo  e
Copacabana,  conheço cada palmo daquele chão que
percorria a pé, de ônibus ou de bicicleta. Frequentador da praia do Arpoador,
vi aparecerem as primeiras pranchas de surf, inalcançáveis para garotos da
classe média como eu,  que tinha pai
importante mas uma vida modesta. Passei pelo Pier de Ipanema, usei calça boca
de sino , cabelos longos e roupas extravagantes, símbolos da contestação de uma
época de conquistas e revoluções sociais.

Trazido pelos meus pais,  vinha a João Pessoa nas férias
escolares.  Ainda criança , fui
levado  à Ponta do Cabo Branco, que
conhecia apenas dos livros de Geografia , a bordo de uma “possante”  Rural Willis capaz de atravessar o caminho de
barro que nos levava até lá. Hospedado na casa do meu avô, na rua Capitão José
Pessoa, em Jaguaribe, endereço da aristocracia da época , andei pela avenida
Epitácio Pessoa sobre calçamento de paralelepípedo, brinquei o carnaval do Cabo
Branco  e vi nascer o Hotel Tambaú.

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