Criatividade na crise

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Não posso dizer que gosto de crises – e duvido que alguém possa gostar. Mas ao longo de quase 50 anos de vida empresarial, aprendi muito com elas.
E não sou o único. O ex-governador Tarcísio Burity (que em seus governos teve a fatalidade de se deparar com muitas crises – econômicas e hídricas) dizia, do alto de sua cultura prodigiosa, que a etimologia grega da palavra apontava para a busca de soluções.

De fato, os gregos usavam Krísis para designar situações em mudanças. Na medicina, quando um doente era medicado e entrava em crise, sabiam que estavam diante de um desfecho: a cura ou a morte.

A crise, portanto, é momento de transição. De avaliar e decidir. Pois estamos na iminência de algo novo.

E o que se faz no meio do olho do furacão? Tentamos sobreviver!

É isso o que muitos brasileiros – e paraibanos – estão efetivamente fazendo.

Tenho assistido na transição de 2015 (o ano em que o Brasil parou) para 2016 (quando haveremos de enfrentar os efeitos dessa paralisação) muita gente buscando soluções para sobreviver a crise. E a maioria delas passa pela criatividade.

Os food trucks são uma dessas saídas criativas. A onda, que explodiu nas ruas da região metropolitana de João Pessoa, é exemplo ilustrativo de como nosso povo tem potencial inovador.

Eles provam que, depois de tantas crises, aprendemos uma importante lição: quando fazemos as coisas da mesma forma, nunca colhemos resultado diferente.
Eles, definitivamente, estão fazendo diferente.

Muitos deles saíram de seus restaurantes com ônus fixos (e altos) para garantir, nas ruas, a manutenção da renda familiar. E não economizaram na sofisticação e criatividade.

O espectro de ofertas é amplo: desde os mais elaborados hambúrgueres até sovertes especiais, passando por iguarias do cardápio nordestino, sempre com releituras que atraem a atenção e o estômago dos paraibanos.

Eles sobrevivem. E nós ganhamos opções de consumo por preços mais acessíveis – sem inserir na conta toda a sorte de penduricalhos que, no frigir dos ovos (mesmo que a comida não tenha ovos), acabam salgando o jantar na formalidade dos restaurantes.

Já fui jovem liso e sei bem que, dependendo do local que a garota escolhesse para tomar o sorvete, estava lascado. Infelizmente, pra mim, naquela época o lanche não vinha atrás do cliente, nas ruas.

Os food trucks não são apenas criativos. São ágeis.

Nem bem surgiram e já têm empresas especializadas, capacitadas para instalações corretas sob todos os aspectos – legalidade, funcionalidade, higiene e originalidade – driblando os improvisos iniciais.

E tudo isso ocorreu num espaço curtíssimo de tempo.

Portanto, não podemos nos render ao pessimismo.

Os food trucks estão aí para provar que, de imobilismo, ninguém pode nos acusar.
De fato, temos usado altas doses de criatividade para manter o pulso sempre pulsante.

E é por causa da capacidade de sobrevivência desse povo criativo e ágil – e somente por causa dele – que ouso dizer, aqui e agora (bem no meio da agudez dessa crise), que desse organismo combalido por tantas desordens políticas-administrativas só pode ter um desfecho possível: a cura.

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