Duas faces

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Uma lição a vida me ensinou: a dubiedade comportamental é terreno fértil para o descrédito e a falta de confiança.

Traduzindo para o coloquial: não acredite em quem tem duas caras! Pois ele sempre lhe mostrará a mais conveniente. Ambas, porém, não merecem nosso crédito.

As duas faces sempre andam de mãos dadas com a hipocrisia.

É o pai que entra em casa temido pelos filhos, enquanto – secretamente – seja um frequentador de bordeis.

É a mulher que se enfeita para sair de duque com o marido embora tenha passado a tarde com o amante.

Tudo não passa de um jogo de cena – exaustivamente ensaiado para uma platéia que finge acreditar na performance. Todos ali, porém, sabem que se trata de uma canastrice.

A promiscuidade social acaba descambando – e em larga medida legitimando – as jogatinas de algumas facções políticas.

Se na vida interpessoal dizem-me com quem andas revela muito do caráter particular, no cenário público dizem-me quem apoias e teremos vislumbre cristalino de suas práticas políticas.

Quem apóia um governo corrupto não se sustenta com o discurso de seriedade.

Escudados muitas vezes por formalismos burocráticos, assisto a conveniente cegueira para com o mal da corrupção.

Eles podem estar cegos. Nós não.

E o que enxergamos é a conveniência paroquial e provinciana abraçar causas indefensáveis. Em nome delas – e de um punhado de vantagens inconfessáveis – muitos hoje se embolam na cena pública com o que há de mais promíscuo, recepcionando com ostentação a corrupção institucionalizada.

Aparentemente, todas as faces desta mesma moeda tentam embaçar propositadamente nossa visão, fazendo de conta que não está vendo com quem está andando e apoiando.

Mais uma vez repito: a cegueira pode ser seletiva e conveniente aos que se prostituem politicamente, mas de longe enxergamos tudo.

Não é bonito o que se vê deste ângulo da história:

A impressão que ambas faces nos dá é que tudo pode, desde que traga benefícios. E que o céu é o limite quanto se trata de emplacar seus projetos e se perpetuar no poder.

Mal se apercebem que essas atitudes desmoronam qualquer discurso de seriedade e sobriedade.

As faces estão reveladas.

Mas os seres teratológicos sobrevivem.

Graças, em parte, a inocência de generosa fatia dos nossos eleitores.

E a conivência de muitos.

A verdade dura é que esse comportamento político – muito comum neste instante brasileiro – nos remete de volta ao casal enamorado que se trai.

Quem, nesta sociedade promiscuída, é capaz de jogar pedras em nossas Genis políticas?

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