Efeito colateral

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O PMDB não poderia ter feito pior escolha para conseguir apressar a reforma da Previdência, que todos sabem, é importante para o equilíbrio das contas públicas e essencial para a retomada do crescimento: está usando as redes sociais para afirmar que se não sair, “Tchau Bolsa Família, Adeus Fies, Sem Novas Estradas, Acabam programas Sociais”. Provocou resposta que deveria ter sido prevista: “Melhor Tchau Temer”.

A percepção é de intimidação, por mais que as consequências futuras possam ser as que destacou. A conclusão é: se a proposta do governo Temer é a melhor para garantir a Previdência, porque não optar pelo convencimento através do debate, como vinha fazendo?

Será que o PMDB tentou criar uma cortina de fumaça para desviar as atenções do processo no TSE, que pode levar à perda do mandato do Presidente em razão das provas materiais e do depoimento de Marcelo Odebrecht confirmando que a campanha da chapa Dilma-Temer foi bancada por propinas?

Paralelamente, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia se reuniu com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e soltou que a reforma pode ser votada já em abril, justamente quando os deputados começam a entender e discutir as questões mais polêmicas da proposta e suas repercussões econômicas e sociais.

Há entendimento de que a reforma é inevitável, mas nem todos concordam com a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, com as regras de transição para os que já estão perto de se aposentar, com as modificações no Benefício de Prestações Continuadas (atende idosos e pessoas com deficiências), a aposentadoria rural, mas especialmente com o tempo mínimo de 49 anos de contribuição para aposentadoria integral.

Um ponto muito destacado nas redes sociais é que o governo usa sua artilharia mais pesada para tentar tirar direitos, mas não age contra os supersalários que são pagos à elite dos três poderes, e que seriam ilegais por estarem muito acima do teto constitucional. Se a conta é coletiva, não pode haver privilégios.

Se a intenção foi reduzir a pressão popular, a campanha do PMDB pode produzir um efeito colateral: ampliar a reprovação a Temer, que segundo pesquisa CNT/MDA, atingiu 62,4% em fevereiro.

Se o PMDB acredita mesmo na proposta precisa aceitar que ameaça não substitui o diálogo, e que os cidadãos merecem todas as explicações que desejarem.

TORPEDO

A transposição do Rio São Francisco é uma luta de muitos e uma conquista de todos os nordestinos. (…) Essa água matará a sede de muita gente e vai colaborar para garantir produção e gerar emprego e renda.

Do deputado Benjamin Maranhão (SD), sobre a conclusão do Eixo Leste e chegada das águas na Paraíba.

Prazo mantido

O vazamento na barragem de Barreiros (PE) foi totalmente contido. O Ministério da Integração diz que não houve dano estrutural. O cronograma está mantido e as águas devem chegar em Monteiro neste domingo.

Dúvida

Pergunta do vereador João Dantas: “Qual o sentido na pressa do Governador em privatizar Cagepa se sabe que a concessão em Campina está vencida e provavelmente não irá ser renovada sem ampla discussão?”.

Mãos à obra

O prefeito Luciano Cartaxo, que passou férias em Portugal – tirou 15 dias de licença antes do Carnaval – reassume a gestão de João Pessoa nesta segunda-feira, e com evento: vai autorizar inicio da UPA dos Bancários.

Descansados

Dois meses após a posse, os vereadores de João Pessoa vão finalmente começar a trabalhar. A “folga” foi por conta de uma grande reforma no prédio. Foi confirmada “sessão solene” para as 8h30 desta terça-feira.

ZIGUE-ZAGUE

+ A famosa “Lista de Janot”, com 59 políticos da Lava Jato, completa dois anos amanhã. Das 20 denúncias protocoladas, STF acolheu apenas cinco, ainda em tramitação.

+ O balanço da PGR diz que no período 49 acordos de delação foram homologados. Por sua vez, Sérgio Moro julgou 25 processos, condenou 123 e absolveu 36.

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