Farm?cia

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É intuitivo: meus olhos são treinados para a observação da cena empresarial. Sou um continuo – e obsessivo até – espectador da atividade econômica.

Tal como o arquiteto que contempla com olhar diferenciado a malha urbana, minha vida empresarial me leva a atravessar fachadas para entender o que pulsa no seu interior.

É como uma espécie de antena, aguçada e eternamente ligada, captando a movimentação financeira do meu entorno e além-fronteira.

E esta é uma ação inspiradora.

Os monitoramentos macros – os humores e rumores desse corpo ativo e complexo que compõe a economia – se refletem no micro, seja encolhendo a atividade em tempos de crise, seja na vigorosa expansão proporcionada pelos momentos que os ventos sopram a favor.

O pragmatismo empresarial se alia à formação acadêmica, adquirida nos bancos da Faculdade de Economia da UFPE – o que, na maior parte do tempo – me permitem entender os cenários.

Confesso, porém, que nenhum mestre ou experiência acumulada em 50 anos de atividade empresarial me ajudam a entender o que se passa no segmento farmacêutico – especialmente em João Pessoa.

Aqui, mais do que alhures, as farmácias proliferam, ocupando espaços privilegiados da Capital. A maioria das esquinas de nossas mais nobres avenidas está ocupada por este segmento – uma ocupação que se tornou mais vertiginosa a partir do começo dessa década, com incremento expressivo de 2014 para cá.

Nem os bancos, com seus lucros estratosféricos, concorrem nesta ocupação.

Historicamente, todos os bons pontos comerciais de nossa saudosa Pharayba eram locados por atividade econômica diversificada. Neste contexto, farmácias apareciam como uma modalidade secundária.

Ninguém, por mais antenado que fosse, anteveria essa invasão farmacológica nos nossos melhores e mais exclusivos espaços urbanos.

O cenário mudou.

A cada esquina, uma surpresa.

As farmácias proliferam. As cadeias se multiplicam. E exalam prosperidade a olhos vistos.

Não acho – e isso é importante registrar – que este seja um movimento econômico negativo. Muito pelo contrário. Torço pelo sucesso, que incrementa nossos paupérrimos indicadores locais.

Mas a curiosidade caminha junto com esta torcida e me impulsiona a questionar:

De onde vem tanta pujança?

A automedicação é uma realidade brasileira, que aumenta o consumo de medicamentos. Somos um povo sempre disposto a ingerir a próxima pílula.

Mas este é um comportamento cultural, cultivados há muitos receituários atrás. Não se trata de uma novidade e não ajuda a explicar este fenômeno empresarial.

Confesso minha ignorância. E peço, humildemente, ajuda aos leitores. Quem enxergar com clareza a luz que alumia este cenário e põe a nu esta orgia comercial, por favor usem o e-mail acima para vir a meu socorro. Serei grato.

Como, em tempos de retração, com tantas falências e encolhimentos, as farmácias conseguem (e só elas) exibir tamanha musculatura?

Quais são, afinal, os princípios ativos que compõem esta super vitamina?

Essa é uma questão que, respondida, não se limitará apenas a saciar uma curiosidade particular. Muito pelo contrário. Pode, por exemplo, valer um PIB mais gordo e uma saída mais rápida da crise nacional.

Vamos, juntos, fazer esse diagnóstico.

O Brasil, definitivamente, precisa desse remédio.r

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