Gestão efetiva

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A cena só pode ser descrita como exultante:

Centenas de famílias – em verdadeira romaria – indo às margens dos canais da transposição, testemunhar (de corpo inteiro) a chegada das águas do São Francisco no esturricado Moxotó, no semi-árido de Pernambuco.

O sertão virou mar pela ótica do sertanejo desacostumado com a presença sublime da água.

As caravanas comemoravam um cenário histórico. E se refastelavam com um fenômeno que não viam há mais de seis anos – tempo em que a estiagem extrema secou por completo a calha do rio Moxotó.

A secular Fazenda Santa Maria também comemorou a chegada das águas – fazendo coro à ruidosa alegria do sertanejo pernambucano.

O destino, afortunadamente caprichoso conosco, inseriu a fazenda dentro do traçado de engenharia da transposição, contemplando-a com trecho do canal por onde passa a água que aplacará a sede da Paraíba.

A transposição suscita festejos (mais do que merecidos), mas também impõe desafios tão gigantescos quanto seus canais.

E a comemoração barulhenta não pode abafar esse compromisso sine qua non.

Precisamos cobrar, aqui e agora, a gestão efetiva desse sistema tão complexo.

Só para se ter ideia do que estou tratando, a estação EBV-6, responsável pelo bombeamento da água que banha a Santa Maria, está a 300 metros acima do nível do rio São Francisco (o equivalente a um prédio de uns cem andares).

Traduzindo: o “milagre” da transposição desafia as leis da natureza. E dribla a gravidade para oferecer aos nossos rincões a perenização da água.

Não podemos, portanto, esquecer (nunca) desse detalhe nada insignificante: o ”mar” sertanejo é artificial e sua operação demandará manutenção constante, exigindo gestão séria e comprometida.

São 217 quilômetros de canais no Eixo Leste, seis estações de bombeamentos, dutos e calhas que precisam de monitoramento permanente.

O sertanejo, que rezou por séculos a fio pela transposição, não pode se ver obrigado a gastar sua ladainha pelo conserto de equipamentos que, uma vez danificados, significarão o esvaziamento dos canais, cortando o fluxo da água e nos levando de volta à sede.

Nossas preces, a partir de agora, devem ser dirigidas a uma conquista maior:

O desenvolvimento de uma imensa região – historicamente submetida a infortúnios – que, enfim, poderá experimentar o bem vindo progresso.

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