Governo do Rio lan?a novo acordo para planejar despolui??o da Ba?a de Guanabara

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O governador Pezão anunciou nova agência para gerenciar as ações ligadas à Baía de Guanabara, um dos locais de provas das Olimpíadas de 2016.

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Um acordo de cooperação técnica firmado na segunda-feira (3) entre o governo do Rio de Janeiro, sete universidades e três centros de pesquisa permitirá um novo diagnóstico da situação de poluição da Baía de Guanabara. O objetivo é monitorar as ações promovidas pelo governo, de modo a acompanhar o progresso da despoluição.

De acordo com o governador Luiz Fernando Pezão, até 2017 será lançada uma nova agência para gerenciar as ações ligadas à baía. “É muito importante esse passo de juntar universidades e a Marinha brasileira, que tem trabalho sobre monitoramento da Baía de Guanabara. Eles auxiliarão o que estamos fazendo com dados de séries históricas, que mostram o que vem melhorando e o que vai melhorar”.

Pezão destacou que, em 2009, quando o Rio de Janeiro foi anunciado sede dos Jogos Olímpicos, a região do entorno da Baía de Guanabara tinha 17% do esgoto tratado. Atualmente, são 49%.

“Vamos inaugurar a UTR [Unidade de Tratamento de Rio] de Irajá, que deve contribuir com mais 11%, e a galeria da Marina da Glória. Queremos fazer mais. Temos obras contratadas e outras sendo licitadas”. Entre as previsões, está a PPP [Parceria Público Privada] de tratamento de esgoto da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, ainda sem prazo.

Secretário estadual do Ambiente, André Corrêa explicou que o Programa de Saneamento Ambiental da Baía de Guanabara dos Municípios do Entorno (Psam) ajudou os 15 municípios da região a elaborar seus planos de saneamento. Segundo ele, serão necessários R$ 12 bilhões para promover a despoluição do corpo d´água.

“Somadas as necessidades de cada um desses 15 municípios, atingimos algo em torno de R$ 12 bilhões. É uma política de estado, não de governo, com planejamento para ter continuidade. Isso é histórico, porque chamamos sete universidades para auditar o governo”.

Durante o lançamento, na ONG Viva Rio, da contagem regressiva para os Jogos Olímpicos, o maior medalhista olímpico do Brasil, o iatista Torben Grael, afirmou que não há perigo de doenças por causa do contato com as águas da Baía de Guanabara. “Todos nós velejamos aqui desde criança e não ficamos doentes”, acrescentou. Grael destacou, no entanto, que, desde 2009, poderiam ter tido mais ações para melhorar a qualidade da água.

Segundo ele, faltou vontade política. “A qualidade da água é ruim. A água é feia e a quantidade de detrito é imensa. Pelo menos os detritos não representam um problema tão difícil de amenizar.” Para o iatista, mesmo que não se consiga despoluir para os jogos, é importante que os acordos e o planejamento sejam feitos para conclusão da despoluição da Baía de Guanabara. “Não chegaremos nem perto dos 80% anunciados, mas, no futuro, nada impede que tenhamos uma baía maravilhosa novamente.”

Atuais campeãs mundiais de vela na classe 49erFX, Martine Grael e Kahena Kunze também lamentaram a falta de ações para melhorar a qualidade da água. De acordo com Martine, faltou planejamento prévio. “Eles receberam a missão de ser sede olímpica há mais de 4 anos. Acho que daria tempo para planejar uma área de saneamento básico na cidade e não foi feito. Adoro velejar aqui. É meu lugar preferido, mas seria melhor se não estivesse poluído.”

Segundo Kahena, dá para perceber que a água no Rio de Janeiro é pior do que em outros locais de competição internacional. “A qualidade da água é a mesma dos últimos anos. Infelizmente, toda vez que voltamos ao Rio temos nojo de entrar na água. E não precisamos de teste para saber como está a Baía de Guabanara. É só olhar e cheirar para perceber que não está legal”

Na avaliação do governador Pezão, a qualidade da água nos locais onde ocorrerão as provas de vela na Baía de Guanabara “não fica nada a dever a outras sedes das Olimpíadas”. Para o secretário André Corrêa, apenas um dos cinco pontos monitorados das raias olímpicas não está balneável.

“No local onde ocorrerá a competição de vela, [a qualidade da água está boa] não é porque teve uma obra. É porque tem grande troca de águas. Fazemos medições desde 2009, quando soubemos que ia teria a vela. O único ponto inadequado é a Marina da Glória, que não está balneável para contato primário, que é banho. Vela é contato secundário”, esclareceu Corrêa.

Participam do acordo a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Universidade Federal Fluminense (UFF), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (da Marinha).

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