Hospital usa terapia com m?sica para ajudar na recupera??o de pacientes na Para?ba

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Um novo ambiente de alegria, troca de afeto e inspiração vem tomando conta do Hospital Geral de Mamanguape (HGM), no Litoral Norte da Paraíba, a 62 km de João Pessoa, no horário de visitas das terças, quintas-feiras e agora também aos sábados. O Portal Correio vai usar nomes fictícios para identificar e preservar os pacientes.

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O ambiente propício à recuperação vem sendo proporcionado por uma equipe de funcionários do próprio hospital desde o início de março e vem trazendo visíveis melhoras ao tratamento dos pacientes internos da unidade.

A diretora geral da instituição de saúde, Isis Unfer, contou que a visita do grupo musical acontece em todos as alas do HGM, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Sim, a musicoterapia também está sendo usada para os pacientes em coma na UTI. Estudos demonstram que a audição é o último dos sentidos a ser perdido”, explica.

O objetivo tem sido, conforme Isis, fazer uma terapia científica de humanização. Ela explicou, ainda, que pacientes com muitos dias de internação às vezes apresentam os chamados delírios de confinamento e o projeto de levar música e alegria tem ajudado muito a evitar e tratar esse tipo de mal entre os pacientes da unidade médica.

O Hospital Geral de Mamanguape atende a uma média de seis mil pacientes ao mês e possui 70 leitos. Além do atendimento de UTI, possui maternidade, pediatria, clínica médica e cirurgia geral.

Quanto aos resultados práticos da musicoterapia, Isis informou que por enquanto ainda não foram estudados porque precisaria de um pouco mais de tempo para isso. Mas garante que a melhora em relação ao tratamento é vista, sentida, contada e reverenciada pelos próprios pacientes.

Idéia surgiu da equipe psicossocial do Hospital

Foto: Ideia surgiu da equipe psicossocial do Hospital
Créditos: Portal Correio

Voz e violão

A ideia de criar o grupo musical e levar a musicoterapia aos pacientes surgiu entre os psicólogos e assistentes sociais do HGM. O psicólogo Carlos Soares toca violão e já participou de uma banda na adolescência. Ele encorajou as colegas a cantarem. E assim começou a se formar o grupo musical com dois psicólogos, quatro assistentes sociais e ainda mais dois outros funcionários do atendimento.

Durante as visitas de humanização do grupo, os pacientes cantam, alguns danças e outros até pedem para ouvir a música predileta deles. “É um momento de contentamento e de sorrisos em meio à dor e o sofrimento provocados pela enfermidade. E isso funciona como um bálsamo”, analisou Carlos.

A psicóloga Nábila Trindade se emociona ao falar do projeto. “É uma sensação indescritível. A maioria dos pacientes é pessoas carentes que carregam sofrimento, mas naquele momento estão felizes…E poder proporcionar isso é muito gratificante”, desabafou. Ela informou que a musicoterapia também proporciona um laço de confiança, respeito e amizade que só contribuem com o tratamento.

O projeto é ainda experimental, mas o grupo pretende se especializar em técnicas mais avançadas de musicoterapia. Ela já é usada em hospitais espalhados pelo País e pelo mundo. Por enquanto, a equipe não tem conhecimento de que exista na Paraíba projetos como esse, em que as alas de tratamento e setores de atendimento estão engajados, envolvendo a todos, voluntariamente.

Grupo leva música e alegria para curar enfermidades

Foto: Grupo leva música e alegria para curar enfermidades
Créditos: Redação

Resultados

Entre os exemplos de resultados mais imediatos que foram sentidos pela equipe de musicoterapia está o caso de dona Rosana, de 65 anos. Ele chegou muito debilitada e inconsciente para internamento e foi medicada. Mesmo sem estar acordada para acompanhar o trabalho da equipe psicossocial do hospital, ela deu sinais no dia seguinte aos especialistas do poder do tratamento.

A paciente acordara comentando que alguém havia colocado música para ela escutar e que aquilo a fez muito bem. Ela não lembrava como tinha acontecido e como não tinha conhecimento do projeto de musicoterapia do hospital dissera que tinham colocado um cd de música para ela ouvir e e mesmo com o som distante, pois ela não estava acordada, tinha gostado muito. A paciente se recuperou e teve alta num tempo menor do que o esperado pela equipe.

Dona Mariana, outra paciente idosa que faz tratamento de hanseníase, disse que está disposta a fazer um abaixo assinado caso, por algum motivo, a equipe de musicoterapia deixe de atuar no hospital.

“Eu acho que é uma coisa que devia acontecer nos outros hospitais também. A música faz bem a gente, alegra, faz a gente esquecer os problemas um pouco e ajuda a seguir em frente, com esperanças de melhora…”

 

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