Impressos

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Mais de três bilhões de pessoas ao redor do mundo estão conectadas.

O número correto, segundo a última contagem apresentada em maio pela União Internacional das Telecomunicações, órgão vinculado à ONU, é de que 3,2 bilhões de internautas estão mergulhados na rede mundial de computadores – uma multidão apegada a seus laptops e dispositivos móveis, balançando no ritmo do ciberespaço.

Se há um consenso neste planeta é que a empreitada virtual da humanidade é uma viagem sem volta. E muito do que já nos foi essencial está sendo ou será deixado pelo meio do caminho.

O papel e os impressos seriam alguns deles?

Do papiro egípcio ao papel que conhecemos, criado na dinastia Han no ano 105 A.C., e seu extraordinário redimensionamento a partir dos prelos de Johannes Gutenberg, estaria a mídia impressa arquejante, dando seus últimos suspiros?

Semana passa em Roma, espreitando a multidão – entre jovens e idosos – vagando pela cidade com maior afluxo turístico do mundo, me convenci de que se a vida dos impressos chegará ao fim, este epílogo não é pra já.

A sobrevida de jornais e toda a sorte de impressos que são rodados diariamente mundo afora não ocorre por teimosia. A verdade é que o homem ainda está longe de prescindir deles.

E não é preciso ir a Roma para saber disso.

Mas foi lá, em meio a tanta gente colocando mapas impressos debaixo do braço e usando a velha e confiável caneta para se localizar entre as piazze, ignorando solenemente todos os recursos online de localização (entre os quais o assertivo GPS), que enfim me convenci:

Ainda há sim longa sobrevida aos impressos.

Uma convicção, aliás, que vivencio de forma pragmática. E se materializa com o Já, o jornal que o Sistema Correio lançou em meio aos prognósticos de saturação dos impressos.

Enquanto a maioria previa o fim, começávamos mais uma iniciativa. E quatro anos depois, o Já prova que estávamos certos: o jornal é sedentamente consumido pelos paraibanos.

Disse aqui e repito: essa convicção só será abalada quando meus netos não precisarem mais levar livros e cadernos para a escola. E eles levam.

O laptop vai junto, claro. Mas o papel e a caneta continuam na mochila.

Os mapas de Roma e a panfletaria escolar deixam minha alma tranquila. Sei que, pelo menos enquanto durar minha existência, os inventos de Cai Lun (feito a partir de uma massa com fibras de árvores e trapos cozidos e esmagados) e de Gutenberg ainda continuarão a registrar, com todas as tintas, a incrível jornada da humanidade.

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