Instituto Internacional de Estat?stica ter? primeiro presidente brasileiro

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Pela primeira vez, desde que foi fundado em 1885, o Instituto Internacional de Estatística (International Statistical Institute – ISI) terá um brasileiro na presidência. A instituição é a mais antiga e considerada a mais importante associação internacional de estatísticos. O pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pedro Luís do Nascimento Silva, vai assumir nesta sexta-feira (31) a presidência em uma cerimônia, às 16h, no encerramento do 60º Congresso Mundial de Estatísticas, que reuniu especialistas em estatísticas, nesta semana, no Riocentro, zona oeste do Rio de Janeiro.

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O Instituto, que começou com 81 membros, atualmente tem cerca de 5 mil integrantes e 2 mil membros eleitos de 140 países. O mandato é de dois anos e a instituição não tem tradição de reeleição. “Não há vedação à recondução, mas a tradição é que há tanta gente em condição de ser líder, que não há o costume em propor a permanência de qualquer pessoa por mais de dois anos”, explicou Pedro Luís do Nascimento Silva, em entrevista à Agência Brasil.

Os planos do futuro presidente à frente do ISI já estão traçados, um deles é levar energia nova à instituição com o engajamento de sócios e membros mais jovens. Na avaliação de Pedro Luís, a organização tem enfrentado um processo de envelhecimento, que classificou de comum a muitas associações científicas, já que as gerações mais jovens têm sentido menos necessidade de se associar e participar de instituições científicas tradicionais.

“É um dos desafios que nós temos que enfrentar e ao qual eu pretendo dedicar bastante atenção nos próximos anos. Um programa para recrutar, engajar e envolver membros jovens que possam trazer suas ideias e contribuições para ampliar o que a associação já produz e torná-la ainda mais atraente para essas gerações jovens que, de alguma maneira, têm encontrado outros caminhos de se conectar uns com outros ao redor do planeta”, apontou.

Outra área que ele quer desenvolver é capacitar pesquisadores para trabalhar com estatística da melhor maneira possível, em particular, em países menos desenvolvidos. O pesquisador explicou que o mundo vive em uma era em que a informação é abundante e variada. “Ela cobre uma multidão de temas que a gente até há pouco tempo não conseguia saber muito. Agora, tornou-se mais barato coletar informações de certos tipos, mas isto gera imensos desafios, porque essas informações são de volume grande, chegam a nós com muita velocidade e nem sempre da melhor qualidade. Tem muitos erros, até pela velocidade com que são capturadas e tratadas”, indicou.

Sobre esse tema, o pesquisador destacou que o ISI tem um programa de capacitação para profissionais de estatística em que realiza oficinas, cursos e até conferências em determinadas partes do mundo, onde há mais necessidade. Segundo ele, a ideia é agir em duas frentes: “Primeiro, melhorar o financiamento desses programas na busca ativa de organizações que possam ajudar a financiar essas iniciativas e, em um segundo componente, tentar explorar oportunidades de educação à distância para também aumentar o alcance dessas iniciativas de capacitação estatística”, contou.

O pesquisador relatou ainda que o interesse pela carreira cresceu muito nos últimos 12 anos, conforme mostrou um levantamento da American Statistical Association. No Brasil, segundo ele, a carreira ainda é muito jovem, mas tem crescido. O problema, revelou, é a diferença entre os que escolhem o curso e os que terminam a graduação. “O número de vagas tem sido estável, ao redor de 1,7 mil vagas, no entanto, só tem graduado de 450 a 500 profissionais por ano”, disse.

Um dos motivos para este panorama, pode ser a falta de crescimento na oferta de cursos universitários, que de acordo com o pesquisador, é relativamente estável há quase dez anos. “Não há criação de cursos novos. É um curso em que a formação é praticamente toda concentrada em instituições públicas. Das instituições que oferecem graduação em estatística, 33 são de natureza pública, 26 universidades ou instituições federais, seis em universidades ou instituições estaduais e uma privada”, destacou.

O pesquisador acrescentou que a carreira tem um atrativo considerável: a entrada no mercado de trabalho. “É uma carreira, do ponto de vista de inserção no mercado laboral, depois da graduação, que deve ter um dos mais altos índices de ocupação. É muito raro encontrar um egresso de curso de estatística que não consiga trabalho logo depois da sua graduação”, relatou.

Pedro Luís considerou que a eleição dele para a presidência do ISI, pode ajudar na divulgação da carreira no Brasil e aumentar o número de interessados. “Espero que muitos jovens brasileiros encontrem inspiração na história de alguns de nós – que alcançamos posições de destaque na comunidade nacional ou internacional – e, por seu empenho e competência, consigam fazer trajetórias similares trazendo cada vez mais reconhecimento da força e do potencial da comunidade estatística bem vibrante que nós temos aqui no Brasil”, disse.

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