Jardim Botânico de JP é ameaçado por esgoto e estrutura ruim

Relatos de problemas na estrutura e do cheiro forte de esgoto são compartilhados por visitantes

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Visitantes do Jardim Botânico Benjamin Maranhão, em João Pessoa, denunciaram a existência de um mau cheiro em um dos trechos do Rio Jaguaribe que corta a reserva florestal. Além do forte odor, há formação de espuma branca no rio, o que caracterizaria um alto nível de poluição no local. Uma bióloga explicou ao Portal Correio quais os problemas que a poluição pode causar no Jardim Botânico, enquanto Estado e Prefeitura de João Pessoa descreveram quais providências são tomadas não só para o caso do rio, mas também sobre reclamações que envolvem falhas na estrutura e no atendimento da Jardim.

O maquiador Diego Paiva descreveu a situação. [O cheiro de esgoto] é muito forte! Algumas vezes não dá pra sentir o cheiro, mas quando volta, vem pra derrubar um! Como é um jardim botânico, as plantas que têm ao redor acabam absorvendo toda aquela água suja. Mesmo não sendo botânico, eu acredito que isso prejudica a flora”, disse ele, descrevendo ainda que a água é turva e tem espuma.

Diego criticou não só o cheiro de esgoto, mas também a estrutura do Jardim Botânico. “O lugar parece meio abandonado! Tem alguns quiosques, mas estão todos acabados. No dia que fui tinham vários funcionários bem tranquilos, sentados à sombra de uma árvore”.

“A ponte de madeira sobre o rio está toda remendada com placas de metal. Não tem como se sentir seguro ao passar, tive a impressão de que podia afundar o pé! Fiquei receoso ao pisar”, falou Diego.

Os relatos de problemas na estrutura e do cheiro forte de esgoto também são compartilhados por outras pessoas que visitam o local. “A ponte parece que tem emendas e não aparenta ser segura para trafegar”, disse outro visitante, que preferiu não ser identificado na publicação.

Sobre a situação no rio, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), disse por telefone que, apesar do problema relatado estar em um trecho do Jardim Botânico, a responsabilidade pelo rio compete à Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria de Meio Ambiente (Semam).

Quanto aos problemas na estrutura descritos por usuários, a Sudema explicou por e-mail que uma reforma no local é providenciada. “A reforma da estrutura física do Jardim Botânico Benjamim Maranhão já está sendo providenciada, contudo, a unidade depende de compensação ambiental, de acordo com os tramites legais”, disse em nota ao Portal Correio, sem especificar o prazo para que essa reforma ocorra e seja concluída.

Com relação aos trabalhos no local, a Sudema informou que há um trabalho de limpeza e manutenção diário no Jardim Botânico. “Em relação à manutenção e limpeza da unidade, diariamente são realizadas”.

Por fim, sobre a queixa de que servidores não estariam trabalhando adequadamente, a Sudema argumentou que o corpo operacional formado por três pessoas por turno atende a visitação. Conforme a Sudema, há ainda dois vigilantes para garantir a segurança na área.

Semam faz levantamento nos rios

A Semam informou que o Rio Jaguaribe e outros rios da Capital passam por mapeamento para que seja feito um levantamento que descreva a situação de cada um.

Segundo a Semam, os técnicos da Divisão de Estudos e Pesquisas (Diep) analisam condições das principais bacias hidrográficas de João Pessoa, que são os rios Jaguaribe, Cuiá, Gramame, Cabelo, Aratu, Jacarapé, Camurupim e Marés-Sanhauá. O levantamento das informações é feito por uma equipe de engenheiros florestal, ambiental, biólogo e geógrafo, que deverão verificar as condições das nascentes, qualidade da vegetação no entorno dos rios e ainda locais onde há degradação.

“A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio dos técnicos da Semam, vem atuando de maneira contínua para preservar e recuperar os recursos hídricos, mapeando as nascentes dos principais rios e desenvolvendo ações de fiscalização”, informou.

Para o secretário de Meio Ambiente de João Pessoa, Abelardo Jurema Neto, conhecer as condições dos nossos rios é um “desafio” que não deve ser feito só pelo órgão. “Nossas equipes estão atentas, fiscalizando e cuidando das áreas que precisam de recuperação, mas esse é um esforço de todos os setores da sociedade. Preservar e recuperar recursos hídricos são uma obrigação urgente e requer equipes multidisciplinares. É uma questão de sobrevivência não só para as pessoas, mas também para indústrias e outros setores”.

João Pessoa e a região metropolitana têm oito principais bacias hidrográficas, consideradas patrimônios ambientais que fornecem água para a população.

O Rio Jaguaribe possui 21 quilômetros de extensão e nasce na região do bairro de Esplanada, na Zona Oeste da cidade, desaguando no Rio Paraíba, no município de Cabedelo, na Grande João Pessoa.

Apesar de não passar pelo Jardim Botânico, a Semam também mencionou o Rio Gramame nas colocações. A nascente principal do rio está localizada na cidade de Pedras de Fogo, onde os técnicos da Semam levantaram que existem, pelo menos, 20 outras nascentes de afluentes no território de João Pessoa. Segundo os técnicos, essas nascentes, localizadas em áreas rurais, estão relativamente preservadas.

“A Semam vem participando ainda do Fórum Permanente de Proteção do Gramame, articulado pelo Ministério Público Federal da Paraíba. O Fórum reúne diversas representações de órgãos públicos, empresas e associações que estão contribuindo para a revitalização do Gramame e Abiaí”, informou o órgão municipal.

Rio poluído traz sérias consequências

Após ler o relato de visitantes sobre a situação da água do Rio Jaguaribe no Jardim Botânico, a bióloga Márbara Vilar, disse ao Portal Correio que a presença de compostos orgânicos e inorgânicos em águas superficiais pode gerar consequências ao meio ambiente e à saúde pública por apresentar compostos altamente tóxicos.

“A formação de espuma em corpos d’água, geralmente está associada ao lançamento de esgotos sanitários in natura, ou seja, sem tratamento prévio; percolação de fertilizantes e defensivos agrícolas e também da disposição inadequada de resíduos sólidos. Sabe-se que desde meados da década de 70, as margens do Rio Jaguaribe vêm sendo ocupadas por populações que cresceram de forma desordenada e sem uma infraestrutura mínima de saneamento básico; despejando os esgotos das residências, muitas vezes dentro do próprio rio, desencadeando assim, uma poluição antrópica [que resulta da ação humana]”, disse Márbara, que é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), mestra em Engenharia Civil e Ambiental pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e doutoranda em Recursos Naturais também na UFCG.

Para a doutoranda, os problemas identificados no rio podem comprometer seriamente a vida dos seres que dependem da água. “O despejo de esgotos domésticos nos corpos hídricos, resulta em reações químicas ou atividades biológicas, havendo a formação de gases e liberando odores fortes e malcheirosos. Contribuindo também para o crescimento excessivo de algas, que consomem o oxigênio dissolvido presente na água, afetando os organismos vivos que habitam estas águas”.

Vilar finaliza sugerindo o que pode ser feito para encontrar uma solução contra a poluição no Rio Jaguaribe. “Antes de se tomar qualquer atitude sobre o caso do rio que corta o Jardim Botânico Benjamim Maranhão, faz- se necessário uma série de análises físico-químicas e bacteriológicas da água, assim como uma análise do seu entorno; e só assim, será possível traçar um diagnóstico da área e tomar providências. Visto que, uma água poluída, pode afetar os organismos vivos que habitam essas águas e o levar ao desaparecimento de muitas espécies vegetais e animais, que dependem desta água para sobreviver”.

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