Militantes LGBT divulgam carta aberta e pedem mais rigor contra a homofobia na Para?ba

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Militantes da causa LGBT divulgaram nessa sexta-feira (29) uma carta aberta pedido mais empenho das forças de segurança da Paraíba no combate a homofobia. O documento foi confeccionado depois de uma reportagem do Portal Correio que mostrou a existência de grupo de extermínio de gays no Brejo do estado. Dois suspeitos foram presos. Só este ano, sete homossexuais foram assassinados na Paraíba.

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A carta assinada por quatro entidades que lidam com a causa da população LGBT na Paraíba pede mais compromisso do Governo do Estado nas investigações, elucidações e prisões de pessoas que praticaram crimes contra homossexuais. O documento usou um trecho da declaração do delegado Walber Virgolino, na reportagem do Portal Correio, para denunciar as mortes e outras violências sofridas pelos LGBTs. “Não vamos admitir que em pleno século 21 a homofobia fique latente. Essa prática aqui no Brejo da Paraíba é inaceitável e seremos rigorosos para punir os culpados pelas mortes”, disse o delegado.

Veja carta:

Carta divulgada pelo movimento LGBT pede combate a homofobia

Foto: Carta divulgada pelo movimento LGBT pede combate a homofobia
Créditos: Divulgação

Nessa quarta-feira (26), uma operação da Polícia Civil do estado, que contou com ajuda de policiais militares, prendeu dois homens suspeitos de integrar um grupo de extermínio de homossexuais no Brejo do estado. A prisão aconteceu na cidade de Sertãozinho, a 120 km de João Pessoa. Investigação da PC aponta que três gays foram mortos pelo grupo este ano na região.

“Com a prisão dos dois, aprofundamos as investigações e chegaremos a outros envolvidos no grupo. Já determinei empenho dos policiais para colocar atrás das grades esses criminosos que matam as pessoas pela orientação sexual delas. Tenho amigos gays e não vou medir esforço para prender esses bandidos e puni-los com o rigor da lei. Todos são iguais perante a lei. Aqui no Brejo, a Polícia Civil não vai aceitar a expansão da homofobia nem deixar que a aversão faça vitimas pessoas inocentes e do bem”, avisou o delegado Walber Virgolino, que é titular da Polícia Civil no Brejo paraibano.

Números negativos x medo de denunciar

No Brasil, em 2014, dados do Grupo Gay da Bahia informam que foram registradas 326 mortes em decorrência da LGBTfobia, um aumento de 4% em relação a 2013. Isso significa que, a cada 27 horas, uma pessoa foi assassinada no país por discriminação de identidade de gênero e/ou de orientação sexual.

Segundo dados da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana do Governo do Estado, entre 2011 e agosto de 2015, 211 homossexuais foram mortos com requintes de crueldade na Paraíba. Entre janeiro e agosto deste ano, sete já foram assassinados na Paraíba.

Para Fernanda Benvenutty, que preside a Associação das Travestis da Paraíba (Astrapa), é necessária a expansão do Centro Estadual de Referência de Enfrentamento à Homofobia na Paraíba (CEDH), visando uma prestação dos serviços à comunidade LGBT no interior do estado. “O centro só tem em João Pessoa. É importante uma interiorização dos atendimentos para que os homossexuais de cidades distantes da Capital tenham acesso ao trabalho importante do CEDH. Isso ajudaria mais combater a homofobia”, disse.

Benvenutty afirma que o movimento busca trabalhar a vulnerabilidade social das pessoas inseridas no grupo e é atuante no acompanhamento dos casos registrados, cobrando a elucidação e celeridade nas investigações. Ela falou ainda que a maior dificuldade para solucionar os crimes é falta de testemunhas ou denúncia.

“Quando ocorre algum tipo de crime, principalmente homicídios, a própria família tem medo de denúncia por medo, por vergonha da orientação sexual da vítima e isso acaba acarretando na impunidade desses crimes. Em casos de agressões físicas e psicológicas, os homossexuais ainda têm medo de denunciar os algozes e por isso não fazem o registro. Esses números são importantes principalmente para que os órgãos públicos tenham o controle e possam tomar providências para conter a homofobia”, comentou Fernanda Benvenutty.

 

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