Na medida

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Antes de sentar para escrever este texto tinha acabado de fazer uma ação que, mais uma vez, consolidou minha convicção existencial mais essencial: a felicidade é palpável e relativamente fácil de ser conquistada!

O que fiz que me deixou tão feliz?

Adquiri duas cotas do Consórcio Nacional Honda do seu produto básico, o Honda Fit para as minhas netas, ambas com 18 anos.

Vai me custar muito pouco – valor extremamente desproporcional a felicidade que causou a mim e às minhas meninas.

Com estes consórcios mantenho uma tradição de família, iniciada pelos meus filhos: presentear cada um deles com um carro ao atingir a maioridade.

Sei que isso (ainda) é o sonho de consumo da maioria da garotada.

Certamente era o meu – tanto que tirei minha carteira de motorista exatamente no dia em que completei 18 anos.

Eram também os sonhos de Alice, Beatriz, Robinho e Bruna.

E, para minha felicidade, pude realizá-los.

Mas de uma forma absolutamente calculada:

Queria agradá-los e fazê-los felizes, sem, contudo, estragá-los com realizações exageradas de seus sonhos de consumo.

A tradição começou por Alicinha, minha primogênita.

Ela ficou radiante com seu Verona branco com câmbio manual e sem ar condicionado, modelo mais básico da categoria.

Na sequência foi a vez de Beatriz ganhar seu Fiat Uno preto. O motor era turbo (uma pequena “extravagância” dentro das minhas regras de contenção). O detalhe mais especial era a placa com as iniciais de seu nome e a data de nascimento.

O próximo – e menos afortunado – a ganhar um carro foi Robinho. Sua Blazer preta deu trabalho desde o primeiro dia. Quebrava tanto que ele já andava com o reboque a tiracolo.

Por fim, chegou a vez de Bruna.

Foi contemplada com um Honda Fit, não sem antes cair numa pegadinha ardilosamente preparada por mim:

A de fazê-la acreditar que seu presente seria uma velha Veraneio, que consegui emprestada de um amigo e deixei estacionada na frente do restaurante em que realizávamos seu almoço de aniversário.

Deixei chegar até ela a informação de que aquele seria o seu presente. Contendo o riso, notei seu ar de resignação. Substituído, com desmedida alegria, diante do carro real.

Nenhum deles jamais se envolveu em acidentes – graças a Deus e às providências que tomei, evitando presenteá-los com super máquinas que poderiam capotá-los da realidade e abalroar suas trajetórias de vida.

Com seus veículos modestos, proporcionei uma lição fundamental aos meus filhos:

A de que as conquistas da vida começam pelo primeiro degrau.

Essa foi a mensagem que repeti, um a um, ao presenteá-los na medida certa para quem está apenas iniciando a jornada.

E eles demonstram, na vida adulta, que entenderam.

Pois jamais pularam etapas. Nem aceleraram por vias ilusórias.

O que faz de mim o homem o mais feliz do mundo por poder continuar a presenteá-los.

E mais feliz ainda por constatar – já na segunda geração – que soube driblar a paternidade que só quer ser desenfreadamente generosa.

Fazendo prosperar o pai cujo amor estanca a vontade de dar o mundo à sua prole em nome de um bem muito maior.

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