Reféns

Temos esposas transformadas em reféns por maridos tiranos, a quem se submetem por dependência econômica, emocional, preconceitos ou medo

Cidades | Em 12/08/17 às 13h21, atualizado em 13/08/17 às 13h18 | Por Roberto Cavalcanti

Têm pessoas que são importantes pelo que são. Tenzin Gyatso, mais conhecido como Dalai Lama, é um exemplo. Não tem exércitos, mas influencia o mundo. Ensina que a felicidade é o objetivo da vida, e que devemos valorizar a compaixão e a gratidão.

No contraponto, temos os que querem tanto ser importantes, que passam a viver sob a máxima de que os fins justificam os meios, desde que garantam o que cobiçam.

Desse grupo, destaco os que consideram admissível submeter outros ao seu poder, para atingir um objetivo.

Temos esposas transformadas em reféns por maridos tiranos, a quem se submetem por dependência econômica, emocional, preconceitos ou medo.

Temos políticos reféns de partidos ou coligações, seja em razão dos prazos legais, do fundo partidário, ou da capilaridade territorial que contribui para suas eleições.

Temos os reféns da violência – e não só os cidadãos que são surpreendidos e submetidos pela força das armas a entregarem bens e valores, mas também os que se trancam em suas casas e limitam suas vidas temendo a criminalidade.

Temos reféns da “guerra santa”, dos tabus da sociedade, do poder político, do poder econômico... até da arrogância. Esses podem se transformar em vítimas deles mesmos.

Durante a Revolução Francesa, Jean-Paul Marat criou o jornal “O Amigo do Povo” e antecipava os que seriam guilhotinados, chamando-os de “inimigos do povo”. Estava tão obcecado que não previu as consequências: foi assassinado em sua banheira por uma simpatizante dos que condenava.

Os czares da Rússia mandaram e desmandaram. O czar achava que era o poder. O czar era o Estado. Coube a Nicolau II descobrir que a força era do povo e não de uma dinastia. Seu império caiu na Revolução de 1917.

Nem todos se submetem. Têm os que jamais serão reféns de nada ou ninguém. Não por serem perfeitos ou inatingíveis, mas por terem a habilidade de entender o que move e o que freia o louco por poder, por dinheiro, por controle, por holofotes, por aplausos...

Às vezes, o que parece fraqueza é sabedoria. Paciência, que é uma virtude, pode ser confundida com hesitação. Os resultados mostram que são letais para os que chantageiam com a força.

A Bíblia ensina no livro de Eclesiastes que há um tempo para tudo, para nascer e para morrer; para rasgar e para coser; para ficar calado e para falar; para guardar e para lançar fora; para guerrear e para fazer a paz. Eu completo: há um tempo para os reféns virarem o jogo. Estamos nele.

Não há mais espaço para uso da arrogância. O palco está reservado para os que não precisam disso para ser o centro das atenções.

Artigo Roberto Cavalcanti
 

Atenção

Fechar