Novos alvos das ruas

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Além da
presidente Dilma Rousseff e do PT, as ruas elegeram novos vilões do Brasil. O
ex-presidente Lula virou protagonista e imagem do protesto nacional de ontem. O
senador Renan Calheiros e o “Congresso corrupto”, também. No contraponto, o
herói continua sendo o juiz federal Sérgio Moro, mas agora acompanhado dos
procuradores da Lava-Jato e da Polícia Federal.

Na hierarquia
dos que conquistaram o povo, surgiram os “patriotas”. Faixas destacavam o
ex-relator do ‘Mensalão’, Joaquim Barbosa, seguido do ministro Gilmar Mendes
(votou a favor de investigação sobre uso de propina na campanha de Dilma) e o
procurador Rodrigo Janot. A Polícia Federal é o “orgulho nacional”.

O som das ruas
con?rmou que o futuro do PT é nebuloso. Os principais bordões repetidos pelas
multidões eram de rejeitação à legenda: “Fora Dilma, fora PT” e “Xô PT e o
bando de pixulequeiros”. E sobre suas principais estrelas: “Lula, pai do
Mensalão/ Dilma, mãe do Petrolão”, “Lula ladrão, cadeia é a solução”. O ídolo
perdeu a imunidade.

Independente de
qualquer comparação com os eventos de março e abril, e das pesquisas que
mostram que Dilma só tem a aprovação de 8% da população, os sons e imagens das
ruas são fatais para ela, para Lula e seu partido, por não ter ocorrido em
torno de uma liderança alternativa, mas ser manifestação espontânea, baseada em
valores e princípios.

Nunca nenhum
partido conseguiu reunir tanta gente em tantos lugares em um só dia. Ocorreram
em 251 cidades, de 24 Estados e no Distrito Federal e em várias cidades no
exterior. Nem nas “Diretas Já” foi assim. A mobilização era para um ato por vez
e por uma frente partidária.

O fato é que
milhares de pessoas trocaram seu repouso semanal, suas obrigações familiares e
o seu lazer, para saírem às ruas, isso sem falar nas milhares que estavam
atuando em redes sociais, igualmente marcado posição. Ao contrário de centrais
que são braços do PT, como a CUT e o MST, que têm o que perder, esse contigente
banca o seu protesto para mostrar indignação com a corrupção e a crise
econômica.

Enquanto em
março e abril a multidão estava dividida entre os que já queriam o impeachment
e os apenas revoltados com o “estelionato eleitoral” praticado por Dilma e os
aumentos de impostos e tarifas, ontem havia unidade no “Fora Dilma”. Foi
diferente dos outros, mas igualmente vai pautar a política nacional.

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