O dinheiro é seu

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R$ 3,5 trilhões – esse é volume médio de recursos que passam pelos cofres da União a cada ano.

Uma verdadeira montanha de dinheiro que todo mundo quer escalar – e efetivamente escala, sem dó nem piedade, impelido por uma (in)consciência generalizada no País:

O cofre do Estado brasileiro não tem dono!

No imaginário coletivo prospera a convicção de que a União é uma vaca profana com tetas que jamais secam. E que qualquer um pode ordenhar.

É por isso que quando a conta não fecha e a ingerência escava fossos financeiros nos estados e municípios, os pires são estendidos em direção a Brasília.

O raciocínio é elementar:

Quebrou o caixa municipal?

Colocou em colapso a previdência estadual?

Bata na porta do Governo Federal que o cofre abre.

E, infelizmente, abre mesmo – alongando dívidas ad infinitum, zerando correções, anistiando e perdoando.

O entendimento da maioria dos (maus) gestores brasileiros reflete, desafortunadamente, a cultura dominante de nossa população.

Pois mesmo pagando uma tonelada de impostos – num nível sem paralelo nas nações ocidentais democráticas – o brasileiro parece não entender que esse dinheiro é seu.

Não existe, de fato, a consciência nacional de que o dinheiro é nosso.

E (quase) ninguém parece estar apto a responder uma pergunta elementar: quem efetivamente gera toda essa receita?

Por omissão ou alienação, agimos como se esses trilhões brotassem espontaneamente.

E é daí que se pavimenta o desrespeito ao contribuinte.

É daí que se aplaca a indignação.

É essa cultura deturpada que explica a complacência com que contemplamos a farra que se faz com o nosso dinheiro.

Explica, também, porque nossos gestores nem piscam ou enrubescem quando vendem no singular, usando pronome pessoal e intransferível, o crédito pela realização de obras e serviços.

Você já deve ter testemunhado esse fenômeno inúmeras vezes:

Se manifesta quase sempre com um sonoro “eu fiz”. Ou na versão correlata “eu faço”. Ou, ainda, na pior das confissões dessa apropriação indébita: a indigerível “minha obra”.

Eles pousam – sem contestação – como donos de nosso dinheiro.

É por isso que somos tão mal recebidos nas repartições do País, onde – via de regra – servidores públicos nos recebem como intrusos. Amoladores do ócio institucional.

Quando, na realidade, deveriam nos tratar com cerimoniosa deferência, a altura do que somos de fato e de direito:

Senhorios do dinheiro público, pagadores de seus salários.

Entender que nossos trilhões não caem do céu nem são jorrados de uma fonte inesgotável do além é, talvez, uma das condições mais essenciais para a transformação do casebre de Joana numa pátria mãe gentil e justa.

Numa nação que racionaliza seus gastos. E atende a todos os seus filhos sem predileções indevidas.

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