O listão dos inelegíveis

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A concorrência com a crise política nacional, que prossegue roubando as atenções pela relevância do que continua sendo revelado pela Lava Jato, é um obstáculo para os pré-candidatos às eleições deste ano. Por mais importantes que sejam, as questões locais perdem para as que impactam todo o País, sem falar que fica difícil abordar o eleitor diante do nível de descrédito dos políticos e dos partidos.

É fato que estamos a 30 dias do período das convenções que homologarão as candidaturas a prefeito, vice-prefeito e vereador (vai de 20 de julho a 5 de agosto). Depois virão o início da campanha nas ruas (16 de agosto) e a propaganda no rádio e na TV (a partir de 26 de agosto).

Muitos dos que hoje são pré-candidatos podem não chegar as convenções. Considerando o clima no país e as decisões das Cortes eleitorais em 2012, vão preferir evitar o desgaste de uma impugnação depois da publicação do “listão dos inelegíveis” que o Tribunal de Contas do Estado entrega a cada eleição ao Ministério Público Eleitoral (MPE), com os nomes dos que tiveram contas rejeitadas.

O listão 2016, que abrange as decisões dos últimos oito anos – ou seja, desde 2008 – já está pronto e tem mais de 600 nomes de prefeitos, ex-prefeitos, secretários, presidentes e ex-presidentes de Câmaras Municipais e gestores de outros órgãos públicos.

Os conselheiros André Carlo Torres e Fernando Catão vão levar, amanhã, a relação ao MPE, que já conta com a do TCU, onde estão os nomes de 212 gestores e ex-gestores paraibanos. Tem ainda a dos condenados por improbidade e crimes contra a administração pública.

Considerando apenas o listão do TCE, é um número significativo de políticos sem o certificado de honestidade que a lei exige para investidura em cargo público.

Na eleição de 2012, tivemos vários casos de políticos impugnados que renunciaram na véspera da votação e elegeram esposas e filhos. O que há de diferente neste ano é o conhecimento de que, em regra, as condenções não resultam de retaliação política, mas de malfeitos.

Essa eleição será diferente de todas, e não apenas pela proibição de doações de empresas ou mudanças nas regras da propaganda, mas pelo conhecimento do que os políticos têm feito. Não será fácil escolher candidato, mas os listões indicarão em quem não votar.

TORPEDO

“Aos que acham que o poder da máquina estadual e da máquina municipal poderá funcionar como nas outras eleições, digo que vamos estar de olho abertos. Não só nós que estamos fazendo a boa política, como também os órgãos de controle: MPF, MPE e PF.”

Do pré-candidato a prefeito, Manoel Júnior (PMDB), sobre a disputa em João Pessoa.

Tempo de guia

Neste 2016, apenas 10% do tempo de propaganda dos candidatos a prefeito será dividido igualitariamente, enquanto 90% será proporcional a soma dos deputados federais dos seis maiores partidos da coligação.

As contas

Assim, Cida Ramos (PSB), que já tem o apoio de 13 legendas, só deverá somar os 124 deputados do PSB, PR, DEM, PDT, PPS e PROS. Cartaxo, que tem apenas oito, se confirmar o PSDB atingirá 171 e terá mais tempo.

O líder

Considerando que Manoel Júnior soma PMDB e PSC, Charliton Machado tem apenas o PT, Wilson Filho conta com PTB e PMB, e Victor Hugo com o PSOL, Luciano Cartaxo ficaria com 35,11% do guia.

Os adversários

É pouco, considerando que todos os outros vão bater no prefeito. Nesse cenário, a candidata do PSB ficaria com 25,46%, o do PMDB com 15,81%, o do PT com 13,34%, o do PTB com 9,24% e o do PSOL com 1,02%.

ZIGUE-ZAGUE

Em delação, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado denuncia 23 políticos de oito partidos, que teriam recebido R$ 115 milhões das propinas que cobrou.

Ao PMDB foram R$ 100 milhões. Renan Calheiros teria ficado com R$ 32 mi, Edison Lobão com R$ 24 mi, Romero Jucá com R$ 21 mi e Sarney, R$ 18,5 mi.

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