Os processos, lá e cá

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A Andrade Gutierrez, segunda maior financiadora de campanhas eleitorais no Brasil, confessou que metade dos R$ 91 milhões doados oficialmente ao PT foram propinas acertadas por contratos na Petrobras, usinas de Belo Monte e Andra 3, e estádios da Copa do Mundo. A empresa vai ressarcir R$ 1 bilhão pelos prejuízos causados pela corrupção que reconheceu.

A admissão do ex-presidente Otávio Marques Azevedo, em delação premiada, levou a força-tarefa a fazer a seguinte análise sobre o esquema de dilapidação do Estado e legalização da propina: “Eram [as doações] um simples mecanismo para disfarçar a corrupção. Eram a venda da democracia.”

É uma conclusão assustadora, principalmente quando assistimos numero significativo de políticos fazendo a “defesa da democracia”, cobrando respeito à vontade das urnas, em contraponto as revelações da Lava Jato, que mostram ações indefensáveis sob qualquer ótica.

Os discursos, para a massa, não raro escondem práticas não republicanas. Com tanta corrupção e dinheiro sujo nas campanhas, podemos realmente assegurar que os resultados não foram contaminados?

A contribuição que a Lava Jato está dando ao País é inestimável. Em dois anos, já derrubou mitos como Lula, quebrou paradigmas como o que só pobre vai para a cadeia, e deu aos brasileiros conhecimento que podem usar na hora do voto para encerrar esse ciclo nefasto.

Contudo, a Lava Jato não pode ser a única depositária da confiança dos cidadãos. Temos que olhar o Poder Judiciário com igual respeito. Entendo que foi essa crença que motivou a OAB-PB a protocolar ofício no TRE-PB, cobrando julgamento de processos de cassação em atraso.

Embora a lei estabeleça como prazo razoável até um ano após o pleito, já estamos com quase o dobro e casos de 2014 continuam sem julgamento. Considerando que da decisão do TRE-PB, quando houver, ainda caberá recurso ao TSE, a conclusão é de que se crime houve, não será punido com perda de mandato. Não haverá tempo.

A morosidade protege os que desrespeitaram as regras da democracia, assim como a propina contamina a expressão das urnas. Não deve ter sido confortável para a OAB-PB fazer a cobrança.

TORPEDO

“Espero atender os anseios da população e vou aproveitar cada momento do mandato para me empenhar em ações que contribuam para o desenvolvimento do nosso Estado.”

Do vereador Raoni Mendes (DEM), que assumirá, amanhã, a cadeira do licenciado Ricardo Barbosa (PSB), na Assembleia Legislativa.

Mudança

A decisão do TSE de não considerar, para efeitos de tempo de propaganda e fundo partidário, filiações que foram temporárias a partidos novos, beneficiou quatro dos seis pré-candidatos a prefeito de João Pessoa.

Cenário

Os seis maiores partidos que apoiam Cida Ramos agora somam 129 deputados (26,87% da propaganda). Foi quem mais ganhou. Cartaxo fica com 173 (com PSDB) e terá 36%, seguido de Manoel Júnior, com 16,2%.

Diferença

Charliton Machado também melhorou. O PT, que contava com 65, após a decisão do TSE terá o tempo de 68 deputados, que no cenário atual da Capital equivale a 14,11% dos espaços. Wilson Filho caiu para 5,62%.

Estratégia

As perspectivas do pré-candidato Victo Hugo ficaram inalteradas. O Psol só tem cinco deputados e ainda não fez alianças. Se continuar assim, só terá tempo para repetir o famoso bordão de Eneas: “Meu nome é…”.

ZIGUE-ZAGUE

O doleiro Lúcio Funaro diz que recebeu R$ 100 milhões em propinas para Eduardo Cunha e que transferiu parte para deputados do seu grupo político.

Funaro garante ter gravações, em vídeo, das negociações feitas tanto com empresários como com parlamentares. Vem aí outro terremoto na política.

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