Pagando a conta

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Semana passada, em uma sala de espera de um escritório paulista, me deparei com uma revista Veja. Como espera e leitura combinam bem, passei a folhear, julgando se tratar da nova edição.

Consultando a data, porém, percebi que aquele não era um número assim tão novo. Na verdade, havia sido publicado dia 15 de abril deste ano – portanto, há mais de 120 dias, período em que eu estava fora do País.

Mas por que pensei que se tratava de uma edição novíssima?

Por causa da capa. Nela, caricaturas do vice-presidente Michel Temer e dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, se digladiam pela faixa presidencial.

Uma guerra com ares de deja vu, prova inconteste que estamos estancados no meio de uma crise, feitos equinos indispostos a seguir adiante.

Definitivamente, nada mudou. Temer, Renan, Cunha e companhia ilimitada continuam duelando pelo poder enquanto o País mergulha cada vez mais fundo em uma crise moral, cultural, econômica e – principalmente – política.

E por que destaco a política? Porque esse gladiador coloca todos os outros atores nas cordas. E leva o País ao nocaute.

Não tenho dúvida: se estivéssemos em uma nação na qual o exercício da política não fosse tão individualista, muito provavelmente já estaríamos navegando em águas mais tranquilas.

As medidas de ajuste fiscal podem até não render os efeitos necessários, mas certamente têm o conceito correto. Em meio a contenda pelo poder, porém, quedam-se inócuas.

Infelizmente, ninguém parece disposto a abrir mão do seu espaço. Muito pelo contrário. Estão todos em busca de mais um naco do quinhão. E em nome dele, as tramas prosperam.

Os danos que elas provocam são incontestes.

Ilustro: a leitura internacional mostra que o momento econômico é adverso na maioria dos países – da China a Europa.

Não é, portanto, exclusividade brasileira.

Aliás, se esta nação tivesse gerindo a crise com mais harmonia, focando no potencial do País, certamente estaríamos sendo menos lesados.

Já passou da hora dos atores políticos encerrarem a briga e pragmaticamente – republicanamente – se questionarem sobre o que fazer para sair da crise ao invés de realimentá-la em círculos viciosos.

Do ângulo em que enxergo este cenário, percebo no ar um sentimento mórbido, de quem torce para que o doente não convalesça.

A torcida, nas esquinas de Brasília, parece ser pelo quanto pior, melhor.

E efetivamente torce, movida pela reflexão do dia seguinte. Pois neste balanço, percebe que se pode ganhar mais (muito mais) cozinhando a crise em banho maria.

Portanto, a ordem é tratar nossas mazelas econômicas de forma periférica sem jamais dar alta a este paciente chamado Brasil.

Não importa que, internando o País na UTI, toda a nação se contamine com suas chagas e também fique enferma.

Afinal, é neste lado de cá do balcão – onde estão empresários e trabalhadores – que a conta é paga.

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