Paraibanos participam de primeira descoberta de chuvas de meteoros feita por brasileiros

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Cinco astrônomos da Paraíba colaboraram com a descoberta de duas chuvas de meteoros, as primeiras reveladas por brasileiros. O estudo foi realizado a partir de imagens captadas por câmeras da Bramon, rede colaborativa de astrônomos amadores e profissionais do Brasil, e enviado para avaliação da União Astronômica Internacional, que validou a descoberta científica em apenas 11 dias de análise. As chuvas, batizadas como Epsilon Gruids (EGR) e August Caelids (ACD), estão localizadas, respectivamente, nas constelações do Grou e do Cinzel.

O diretor técnico da rede, Marcelo Zurita, que atua em João Pessoa, foi o primeiro a perceber que uma concentração de meteoros ocorrida nos anos de 2014 e 2015 poderia indicar um novo tipo de chuva. A partir dessa observação, outros 57 operadores de câmeras ligados à Bramon em 19 estados do país trabalharam na análise de dados de meteoros registrados no período.

Além de Marcelo, mais quatro astrônomos da Paraíba participaram dessa etapa. O coordenador do Laboratório de Astronomia da Estação Cabo Branco, Marcos Jerônimo, ajudou nos trabalhos na Capital, enquanto Ubiratan Nóbrega e o estudante de Meteorologia Diego Rhamon analisaram dados em Campina Grande. O estudante de Administração Lucas Tranquilino, que é de Santa Rita, completou a equipe.

Ao fazer o levantamento, os operadores de câmeras da Bramon verificaram que 17 meteoros se diferenciavam entre os 86 mil registrados nos últimos três anos. “Inicialmente, pensávamos que se tratava de apenas uma chuva, mas depois vimos que eram duas. São chuvas pequenas, uma com sete e a outra com 10 meteoros. Todas as grandes chuvas de meteoros já foram descobertas, então hoje em dia o nível de pesquisa está bem alto. Foi como procurar agulha num palheiro”, explica o diretor técnico. De acordo com ele, os meteoros em questão foram registrados por estações em Goiás, São Paulo e Minas Gerais. A concentração deles foi percebida há cerca de um ano.

Para a descoberta, também foram mapeados dois meteoros registrados nas Ilhas Canárias e as imagens foram cedidas pela Rede Europeia de Videomonitoramento de Meteoros (Edmond).

Um vídeo montado por Marcelo Zurita mostra os pontos no céu de onde surgiram os meteoros. Assista-o:

A partir do material coletado, iniciou-se o processo para comprovar cientificamente que os meteoros pertenciam a uma chuva até então desconhecida. No último dia 9 de março o estudo foi enviado para a União Astronômica Internacional e a confirmação da descoberta veio nessa segunda-feira (20).

“Depois da etapa inicial de retirada de dados, entramos na parte matemática, ou seja, na elaboração do estudo que foi enviado à União Astronômica Internacional. A partir dos indícios que eu identifiquei, Carlos Augusto di Pietro, que é de São Paulo, e Lauriston Trindade, do Ceará, fizeram os cálculos. Para cada meteoro da rede registrado em pelo menos duas estações conseguimos, através de triangulação, extrair os parâmetros orbitais que representam matematicamente a órbita desses meteoros antes de se encontrarem com a Terra. A partir daí, conseguimos incluir esses valores em fórmulas matemáticas complexas que encontram os agrupamentos de meteoros com órbitas semelhantes. Posteriormente, cada meteoro de um grupo é submetido a um teste que verifica o nível de similaridade entre eles. Apenas os mais semelhantes são selecionados e se a quantidade superar o número mínimo exigido pela IAU, podemos propor que ali existe uma chuva de meteoros”, detalha Marcelo Zurita.

“Nós tivemos o apoio fundamental de Jakub Algol Koukal, um tcheco da Rede Europeia de Videomonitoramento de Meteoros (Edmond) que atuou como nosso professor orientador. Ele indicou vários artigos para que a gente estudasse e conseguisse fundamentar bem a nossa descoberta”, completa ele.

O diretor técnico da Bramon ainda diz que a descoberta da Epsilon Gruids e da August Caelids vai ajudar a ciência a entender melhor a dinâmica do sistema solar. “Com esse estudo da Bramon, cientistas de todo o mundo vão poder realizar pesquisas sobre os objetos, como cometas ou asteroides, que possam ter gerado essas chuvas e acrescentar informações”, destaca.

Marcelo Zurita ressalta também a importância de os registros dos novos meteoros terem sido captados por astrônomos amadores. “As câmeras que os operadores da Bramon usam custam pouco mais de R$ 200, são como àquelas usadas em circuitos de segurança, só que com algumas especificações diferentes, e as imagens são projetadas em um computador com softwares específicos. Então isso mostra que é possível se envolver com astronomia mesmo sem ter um alto padrão financeiro, é o que chamamos de ciência cidadã, que dá oportunidade para pessoas comuns”, celebra.

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