Pelo sonho de ser campe? mundial, brasileira do sum? faz rifa e at? se endivida

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Se até atletas olímpicos laureados enfrentam dificuldades para se manterem no Brasil, imagine como é a situação de quem optou por um esporte pouco difundido como o sumô. É o caso de Luciana Watanabe, mas ela não desiste: três vezes medalhista de bronze na categoria leve do Mundial da modalidade, a paulista está organizando uma rifa para ir à próxima edição do evento, programada para 29 e 30 de agosto em Osaka, no Japão.

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A intenção é arrecadar um total de R$ 21 mil para bancar as despesas de transporte, alimentação e hospedagem de Luciana e outros dois atletas, Sara Gomes (categoria pesado no juvenil) e Zenith Kubagawa (leve adulto). Para incentivar a participação das pessoas, eles estão oferecendo como recompensas uma sanduicheira, uma batedeira, uma panela de arroz e uma bicicleta, todos conseguidos através de doações. O sorteio será no dia 22 com os quatro últimos números da Loteria Federal e o vencedor do prêmio máximo levará R$ 1 mil.

As rifas estão sendo vendidas a R$ 5 cada e, quem quiser ajudar, pode entrar em contato diretamente com Luciana. Na tentativa de arrecadar mais dinheiro, os três também estão vendendo camisetas da seleção de sumô, organizando bingos e devem promover um almoço na cidade de Suzano, onde Luciana mora, em breve.

Dona de três medalhas de bronze no torneio, Luciana, de 30 anos, está disposta até mesmo a gastar o que não tem para competir no Japão:

— Se não vendermos toda a rifa, ficaremos com dívidas, mas vamos. Eu já fui a outros Mundiais e acho que tenho grande chance de vencer. Talvez eu pare logo e é o sonho de ser campeã que me motiva.

Os números dão razão à brasileira: além dos bronzes no Mundial, ela é 12 vezes campeã brasileira de sumô e tem quatro títulos sul-americanos no currículo. Em 2013, atingiu o auge ao ser vice nos Jogos Mundiais, uma espécie de Olimpíada de esportes que não conseguem entrar no programa olímpico tradicional.

A ausência do sumô na principal competição de esportes no mundo torna as coisas muito mais complicadas para os praticantes da modalidade. Diz Luciana:

— A maioria das pessoas na Confederação é voluntária e, como o sumô não é olímpico, não tem ajuda do governo.  Quatro brasileiros que estavam classificados já desistiram de ir para esse Mundial. É triste porque a gente faz seletiva e nem o segundo colocado consegue ir.

Para se manter, Luciana trabalha como professora de Educação Física na rede municipal de Suzano. Ela ainda mantém um projeto social que ensina judô a cerca de 70 crianças da cidade. Pedir ajuda para competir já se tornou uma constante na vida da lutadora:

— Pratico sumô desde os 15 anos e nunca tem dinheiro. Até 2005, esperávamos muita ajuda do governo, o governo do Japão já ajudou, mas depois (essas contribuições) deram uma diminuída e resolvemos não depender mais de governo.

A paixão de Luciana pelo esporte japonês surgiu por acaso. Praticante de judô no início da adolescência, ela foi a um evento de sumô da academia por curiosidade e acabou ficando. Atleta da categoria até 65 kg, ela é a imagem contrária do esteriótipo de homens seminus e obesos da modalidade:

— As pessoas têm essa imagem dos profissionais do Japão, mas também existe o sumô com divisão por categorias e onde os atletas usam roupas por baixo. As regras, porém, são as mesmas: tirar o adversário para fora do ringue circular. 

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