Perda de controle

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Começo por um questionamento:

Quem de nós não sofreu ou não tem um conhecido que tenha sido vítima – em graus diversos – da violência?

Um parente que descobriu na volta ao estacionamento que o carro não estava mais lá; um amigo que enfrentou a mira de um cano de revólver durante um assalto; um ente querido que foi morto pela bandidagem – cada dia mais cruel.

A verdade é que passamos do tempo em que ouvíamos falar da ascensão da violência para assisti-la de perto – próxima demais para não sentir medo.

Sei que este é um tema delicado. E, não raro, acaba sendo enquadrado como uma via transversal para o escoamento de desgostos políticos.

Aliás, não é de hoje que ao se levantar um fenômeno incômodo, o incomodado o coloca na cesta dos ataques gratuitos. Foi assim em 1984: após a morte de Paulo Brandão, todas as suspeitas levantadas – e mais tarde confirmadas – foram tratadas por um coadjuvante político como uma campanha sórdida para atingir o governante da época.

Acredito que, assim como as evidências nos conduziram sem margem de erros aos culpados da morte de Paulinho, a caudalosa onda de violência em curso na Paraíba de hoje não pode mais ser encarada como uma ação que arrebentará na praia política.

Até porque não se trata de problema circunscrito ao nosso estado. A violência é epidêmica, varre todas as regiões do País e insere o Brasil nas zonas mais conturbadas do Planeta, monitoradas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O fosso, amigo, é muito mais embaixo.

E só sairemos dele se partirmos para o confronto. Vamos para cima e resolver o problema de qualquer forma. É guerra. Então, vamos guerrear.

Não dá para tergiversar.

Ou ficaremos aqui, na beira do caminho, assistindo a horda atravessar, sentindo saudades do meu amigo, Doutor Luiz Bronzeado, e de sua corajosa disposição para agarrar a bandidagem com unhas e dentes?

Na guerra, o estado funciona em regime de exceção. Os Estados Unidos, por exemplo, jamais teriam vencido o Japão na II Guerra se tivesse ficado atado aos padrões estabelecidos. Não estava previsto, mas o cogumelo explodiu sobre Hiroshima e Nagasaki.

Depois disso, só restou ao Japão o direito da rendição.

Rendidos, porém, estamos nós cidadãos. De mãos para o alto, equivocadamente desarmados.

Nossas leis precisam ser alteradas para combater com eficiência os ataques às agências bancárias, os arrombamentos patrimoniais, os assaltos pessoais, os sequestros, o narcotráfico, os homicídios – a tal morte matada que já ceifou vidas de tantos paraibanos neste 2015.

O que não podemos é assistir, impassíveis, pais de famílias serem abatidos por bandidos que utilizam a lei a seu favor – seja por serem inimputáveis (os menores de idade); seja pela flexibilidade do Código Penal, que viabiliza solturas quase instantâneas.

É chegada a hora da sociedade exigir um reordenamento público. E criar o nosso próprio estado de exceção – um lugar onde poderemos reassumir o controle perdido e travar, em condições de igualdade, a guerra contra a criminalidade.

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