Plataforma vai reunir denúncias de assédios e violências sofridas por mulheres na UFPB

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Mulheres que estudam ou trabalham na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) terão, a partir da próxima semana, uma plataforma virtual para denunciar assédios e violências explícitas ou simbólicas ocorridas nos campi. O projeto, intitulado ‘Um Grito por Elas: Mulheres da UFPB contra a violência’, foi criado pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Gênero e Mídia (GEM) da instituição. O lançamento da plataforma acontece nesta quarta-feira (27), a partir das 8h, no Auditório Aruanda, situado no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), no campus de João Pessoa.

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“Queremos promover o diálogo, o fortalecimento dos direitos e a construção de equidade de gênero para novas relações de convivência social”, explica a coordenadora do GEM, Margarete Almeida.

Ainda conforme a professora, as vítimas – sejam elas alunas, professoras, servidoras ou trabalhadoras autônimas – poderão compartilhar suas histórias e serão orientadas sobre direitos, medidas protetoras e órgãos públicos a acionar.

“Através desses depoimentos, iremos criar uma grande rede de denúncias. Desta maneira, iremos traçar uma cartografia do assédio e da violência contra a mulher na UFPB através de análise dos dados resultantes do projeto. Pretendemos com isso apresentar aos gestores da UFPB e dos Centros Universitários o resultado desta pesquisa para discutir e promover ações públicas e política de gênero”, completa Margarete Almeida.

O lançamento da plataforma terá participação da coordenadora do projeto ‘O Valente não é Violento’, da ONU Mulheres, Amanda Lopes; a consultora de projetos do Instituto Avon, Mafoane Odara; a secretária estadual da Mulher e Diversidade Humana, Gilberta Soares; além da reitora Margareth Diniz e representantes de movimentos feministas e representações sociais. Também haverá apresentação musical do grupo de rap ‘Afronordestinas’.

Violência na UFPB

Nesse sábado (16), o Portal Correio noticiou que a Comissão de Direitos Humanos da UFPB vai pedir apuração de denúncia de que teria ocorrido apologia ao estupro durante um trote realizado na sexta-feira (15), no Centro de Tecnologia. Uma caloura teria sido coagida por veteranos a usar uma placa com desenhos de pênis e expressões “miss estupra”, “vambora” e “tudo certo”.

Ainda na semana passada, na quarta-feira (13), uma estudante de Relações Públicas denunciou ter sido agarrada e beijada a força por um homem que costuma frequentar o Centro de Comunicação, Turismo e Artes. A violência foi relatada ao Centro Acadêmico de Relações Públicas, que informou, pelas redes sociais, que foi aberta uma sindicância para apurar o acontecimento.

No ano passado, um estudante foi detido em Areia suspeito de espionar e filmar alunas nuas enquanto elas trocavam de roupa ou tomavam banho. Na época, as estudantes relataram que se sentiam inseguras e vulneráveis no campus. 

Dados nacionais

Cerca de 70% das estudantes brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência em espaços acadêmicos, segundo a pesquisa ‘Violência Contra a Mulher no Ambiente Universitário’, realizada pelo Instituto Avon, no ano passado. O levantamento ouviu depoimentos de 1.823 estudantes de instituições nas cinco regiões do país, sendo que 60% dos entrevistados foram mulheres.

A maioria delas, 56%, contaram já ter sofrido assédio sexual; e 28% revelaram terem sofrido violência sexual (estupro, tentativa de abuso enquanto estavam sob efeito de álcool, ser tocada sem consentimento ou forçada a beijar um veterano.

Entre os homens, 38% admitiram ter cometido algum tipo de violência dentro de universidades. Outro dado alarmante: 35% deles disseram que não consideram violência o ato de coagir mulheres a participarem de atos degradantes.

A pesquisa mostrou ainda que 36% das mulheres deixou de fazer alguma atividade acadêmica por medo. Elas citaram como problemas a falta de segurança nos campi e de setores para apoio ou denúncia. Quase 100% concordou que as universidades precisam criar meios para punir responsáveis por violência nas instituições. 

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