PMDB, Dilma e o Nordeste

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Um bate, outro assopra; um ameaça, outro amacia; um desdenha, outro elogia. O congresso do PMDB foi um exercício de como ser governo e posar de oposição.Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Humberto Lucena, que já estão lá em cima, teriam ficado surpresos com a versatilidade do partido que projetaram com seus valores e atitudes.

O encontro foi convocado para discutir projeto alternativo para enfrentamento da crise, elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães e que confronta as propostas do PT. O objetivo, contudo, foi pavimentar o caminho do PMDB rumo ao Palácio do Planalto. Falam em 2018, mas mostram que estão prontos para suceder Dilma Rousseff já, se ela for afastada do cargo.

Michel Temer mostrou que tem jogo de cintura. Comportou-se serenamente quando saudado com os refrões“Brasil, pra frente, Temer presidente” e “Temer, vista a faixa já”, quando ouviu integrantes do Movimento Brasil Livre pedirem “Impeachment, já” e uma série de oradores apoiando rompimento imediato com o governo Dilma.

O baiano Geddel Vieira Lima, que foi prestigiado ministro de Lula, esteve no grupo que bateu: “Impeachment ou não impeachment não depende da gente, mas tem algo que depende. Não é o afastamento de Dilma Rousseff da presidência da República, mas o afastamento do PMDB dela, para que possamos construir um partido que tenha discurso”.

Mesmo ameaçado de perder o mandato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha alfinetou: “O PMDB não pode se calar por meia dúzia de carguinhos”. Já Renan Calheiros assoprou: “O PMDB está apresentando propostas não para o governo, mas para o Brasil. Precisamos sair dessa situação de crise que tende a se agravar se não houver uma saída”.

Temer dosou. Usou tanto a postura como o verbo para mostrar que tem condições de conduzir o país. Criticou o ajuste fiscal, defendeu reformas estruturantes e um Estado que “combata o desperdício, o desvio e a corrupção”, mas depois, com habilidade ímpar, disse que o PMDB fica com Dilma. Será que ela acredita?

É nesse clima que a Presidente recebe, hoje, os governadores do Nordeste. Na pauta geral, a crise hídrica. Na específica da Paraíba, Ricardo Coutinho incluiu o pedidode aval para empréstimos externos. O fato dela estar carente de apoio se não ajudar, também não atrapalha.

Torpedo

”Tribunal de Contas não pode ser um brinde para político em fim de carreira. Político é para ser fiscalizado, não para fiscalizar”.

Do deputado Anísio Maia (PT), entrando no debate sobre a criação do TCM.

Muito zen

O governador Ricardo Coutinho garante que está “absolutamente tranquilo” e descarta “inferno astral” por conta do julgamento, quinta-feira, pelo TRE, de uma das ações que questionam lisura de sua eleição.

Sem troca

Ricardo diz que seu estado de espírito é resultado da consciência de que não usou a máquina pública em troca de votos. Disse que, pelo contrário, perdeu apoios por ter resistido a política velha, que seria a dos benefícios.

Espelho

Ricardo Coutinho afirma que os processos contra ele foram para “tirar do foco as práticas ilícitas do adversário que foi derrotado”. E arremata: “A Paraíba sabe que não sou eu quem tem a prática de compra de votos”.

Recreio

Além de ter projeto que dava nome a uma praça em Campina rejeitado na CCJ, Tovar Correia Lima ainda teve que ouvir brincadeira de Hervázio Bezerra: “Ele esqueceu que deixou de ser vereador e agora é deputado”.

Zigue-Zague

O prefeito Luciano Cartaxo continua ajustando sua equipe, em busca de melhores resultados. AleudaNágila é a nova secretária de Saúde e Sergio Barbosa, de Finanças.

TCE divulgará, hoje, o novo ranking da transparência dos portais das prefeituras e Câmaras Municipais da Paraíba. O resultado será apresentado no Pleno.

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