O poder e a criminalidade

Precisamos daquele Ricardo Coutinho que apareceu no guia eleitoral de 2010 e garantiu que resolveria a violência em seis meses

Mais política | Em 10/01/17 às 12h02, atualizado em 10/01/17 às 17h44 | Por Lena Guimarães

Se uma moto com duas pessoas diminui a velocidade e eles olham para um transeunte, a suspeita é que são assaltantes, porque essa é uma modalidade de crime que só cresce. Se um desconhecido busca uma sombra e observa a área, deve estar procurando a próxima vítima. Ninguém espera o ar quente sair do carro para entrar, temendo uma abordagem. As calçadas deixaram de ser locais de encontro de vizinhos.

O medo é uma realidade que limita cada dia mais a vida das famílias paraibanas, seja nas grandes ou pequenas cidades, onde os bandos chegam atirando para todos os lados, acuam a Polícia e explodem agências bancárias e dos Correios. Já fecharam ruas até na Capital com o mesmo objetivo. E com sucesso.

A percepção da violência não decorre apenas do enorme número de homicídios e de assaltos a bancos, mas principalmente dos crimes tidos como menores, mas que ocorrem em grande quantidade, e o governo sequer tem estatísticas.

Nas delegacias somos informados que assaltos pequenos – grande só os a bancos ou grandes lojas – não são investigados. Por isso, os cidadãos também só perdem tempo fazendo o registro quando os criminosos levam seus documentos e cartões de crédito, para o caso de precisarem comprovar na Justiça que são vítimas.

O medo só cresceu após as chacinas em presídios. Se o Estado brasileiro não tem o controle do que ocorre nas prisões, imagine nas ruas. A governadora Suely Campos, de Roraima, assumiu que não pode garantir a vida de presos, na guerra de facções. Pediu ajuda federal. O do Amazonas, também. O poder maior já não é do Estado; é dos criminosos.

Na primeira semana do ano, a Paraíba também foi manchete por duas mortes em presídio, e levou o presidente do PSDB, Ruy Carneiro a cobrar ao governo um plano para conter a violência contra os cidadãos: “Todos os dias ouvimos relatos de pessoas assaltadas enquanto caminham, na volta do trabalho, no carro, em um estabelecimento comercial, dentro de suas residências, no ônibus. Não há mais lugar seguro. Estamos entregues aos bandidos e o governo nada faz”.

Precisamos daquele Ricardo Coutinho que apareceu no guia eleitoral de 2010 e garantiu que resolveria a violência em seis meses. Já se foram seis anos. O momento exige atitude.

TORPEDO

Isso tem sido uma constante: bandos armados com fuzis, em cima de caminhonetes, aterrorizando a população de pequenos municípios. É preciso dar um basta! E cabe ao governo fazer isso.

Do presidente do PSDB, Ruy Carneiro, cobrando ao governo do Estado um plano para enfrentamento da violência na Paraíba.

Sem barganha

O senador Raimundo Lira quer ser líder do PMDB. Ele tem repetido que se não conseguir o apoio da bancada do partido, não criará nenhum incômodo para o governo. Não precisará de ministério como compensação.

Na mesa

A liderança vai ficar vaga porque o atual ocupante, Eunício Oliveira é o nome mais forte para suceder Renan Calheiros na presidência do Senado. A futura Mesa pode contar com o tucano Cássio Cunha Lima, pelo PSDB.

Ação petista

Lindbergh Farias, senador pelo Rio de Janeiro, é a estrela de plenária “Diretas Já!”, tese que o PT passou a defender a partir do impeachment de Dilma Rousseff. Será às 18h de hoje, na sede do Sindicado dos Bancários.

Sem pressa

O prefeito Luciano Cartaxo deixou claro que não tem pressa em conceder reajuste para a tarifa do transporte coletivo de João Pessoa. Admitiu que a Semob faz estudos, mas que sua prioridade é a agenda de obras dos 100 dias.

ZIGUE-ZAGUE

Perto dos três anos, a Lava Jato tem números impressionantes: as operações financeiras que averiguou somam R$ 8 trilhões, mais que o PIB de 2015, de R$ 5,9 trilhões.

Seu banco de dados tem 30 milhões de documentos, acumulados em suas 36 fases, com 1.434 procedimentos instaurados. A delação da Odebrecht é a cereja no bolo.

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