Cortina de fumaça

Pauta é poderosa, mas vai encobrir a Lava Jato? Pelo termômetro das redes sociais, o brasileiro está preparado para o teste da fumaça

Mais política | Em 19/03/17 às 12h02, atualizado em 20/03/17 às 11h11 | Por Lena Guimarães

Os procuradores da Lava Jato não têm mais dúvida de quem é quem nas planilhas achadas na Odebrecht. O ex-presidente da empresa, Benedicto Barbosa da Silva Junior entregou tudo e todos: nomes, apelidos e valores entregues a cada um. É uma das provas que fundamenta os pedidos de investigação feitos por Rodrigo Janot ao STF.

O registro mostra que são três ex-presidentes da República no esquema – Lula, Dilma e Fernando Collor – além de 13 governadores, seis ministros do governo Michel Temer, senadores e deputados federais já conhecidos, além de ex-poderosos dos governos passados.

Não é à toa que estão se unindo para criar cortinas de fumaça que desviem as atenções dos brasileiros das revelações, enquanto tentam encontrar alternativas que levem não apenas ao perdão dos crimes praticados, mas a preservação dos espaços de poder que ocupam.

A previsão é que nesta semana o STF termine de processar os documentos entregues por Janot, enviando-os ao relator do caso, Edson Fachin, que decidirá sobre a suspensão do sigilo, solicitada pela PGR.

Para concorrer com esse escândalo, só uma pauta que interfira na vida dos cidadãos. A Câmara ja marcou para às 15h desta terça-feira a votação do projeto que regulamenta a terceirização de todas as atividades das empresas. Já passou pelo Senado. Para os defensores, vai estimular criação de empregos. Quem é contra sustenta que vai desestimular contratações diretas e provocará perdas salariais.

Também foi pautada a PEC que permite que univerdades públicas cobrem por cursos de prós-graduação lato sensu, excesso mestrado profissional. Os defensores sustentam que é solução para crise financeira, os que são contra dizem que é o início da privatização do ensino superior.

Para completar, o PLP que cria Regime de Recuperação Fiscal dos Estados e que exige duras contrapartidas de Estados em crise que pedirem socorro ao governo federal, como suspensão de qualquer aumento para servidores e elevação da contribuição para a Previdência.

O Senado agendou a proposta que cria mutirões para antecipar libertação de presos. Seria a solução para o gravíssimo problema da superlotação dos presídios. Também vai decidir sobre urgência na proposta que limita direito de greve dos servidores públicos.

A pauta é poderosa, mas vai encobrir a Lava Jato? Pelo termômetro das redes sociais, o brasileiro está preparado para o teste da fumaça.

TORPEDO

"A lei ou é para todos ou para ninguém Não pode ter dois pesos e duas medidas, tem que ser uma régua só. E a régua do Judiciário é ser submisso às leis e à Constituição."

Do juiz Aluizio Bezerra, sobre a possibilidade de anistia para Caixa 2 sob argumento de que crise política atrasaria a recuperação econômica.

Caminhada

O ex-presidente Lula chega a Paraíba para iniciar caminhada rumo a 2018. É no Nordeste que estariam suas chances de voltar a presidência, já que sua rejeição no país chega a 45,7% (Instituto Paraná), a maior entre postulantes.

O desafio

Lula visita a transposição e reivindica a paternidade da obra, para a qual foi decisivo. O clima aqui é favorável, mas as revelações da Odebrecht podem inviabilizá-lo. Delatores contaram tudo sobre o sítio, o tríplex, as palestras...

Mote bom

A iniciativa do ex-presidente Lula de “reinaugurar” uma obra – no caso a transposição - porque foi ele quem iniciou, vai ser copiada. Aqui, políticos da oposição aprovaram a ideia e já fazem relação do que podem reivindicar.

Na estrada

De segunda a sexta o foco é a gestão; os finais de semana, para contatos políticos. Ontem, Luciano Cartaxo foi para Pedras de Fogo, a terra do seu vice Manoel Júnior, onde foi recepcionado por peemedebistas, de olho em 2018.

ZIGUE-ZAGUE

A coluna Expresso, da revista Época, revela que dois ministros do TCU estão na lista da Odebrecht: o presidente da Corte, Raimundo Carreiro e o paraibano Vital do Rêgo.


No ranking das empresas mais ética do mundo, apurado pelo Insituto Ethisphere, a maioria das 124 é dos EUA, mas tem de 18 outros países. Nenhuma é brasileira.

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