Por que acredito (parte IV)

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Não basta uma nação ser confiável; tem que parecer confiável.

A livre adaptação do provérbio famoso inspirado pela mulher de César se encaixa, à perfeição, no instante econômico brasileiro.

E, ao contrário do que ocorreu no ambiente doméstico do ditador romano, o mercado internacional não está se divorciando do Brasil.

Aliás, muito pelo contrário.

A redução do ruído político e a agenda célere de reformas – fiscal, trabalhista, previdenciária – têm restaurado a confiança dos investidores externos em relação ao Brasil.

Somos – e parecemos ser – um destino confiável para o dinheiro mundial.

E ele tem vindo!

Em 30 de dezembro do ano passado, tínhamos uma liquidez incontestável, com 372,2 bilhões de dólares em reservas cambiais (um dos quatro maiores estoques do mundo).

Dez dias depois, as reservas voltaram a crescer, atingindo 373,3 bilhões de dólares – uma solidez que liberta o País de grilhões quase eternos, vide FMI.

A performance da balança comercial do País se junta a esta conjuntura favorável.

Em 2016, as exportações bateram recorde histórico e fecharam com saldo positivo de 47,6 bilhões de dólares.

E as projeções para 2017 continuam otimistas, com forte recuperação das commodities – um fenômeno que passa, por exemplo, pelo recorde de embarque de carne de frango e as altas das cotações do minério de ferro e do açúcar.

O Brasil continua sendo celeiro do mundo, alimentando o planeta e contrariando suposta depressão da demanda mundial.

Não apenas colocamos o alimento na mesa de bilhões de pessoas ao redor do mundo, também distribuímos – com nosso perfil de exportação – um elemento essencial, escasso em centenas de países: a água.

Pois o cultivo de grãos e a produção de carnes demandam uma fartura hídrica (e condições climáticas) que poucas nações do mundo têm nos níveis disponíveis no Brasil.

E este é um cenário que se impõe para além dos fluxos e refluxos do mercado internacional, conforme atesta o fechamento da nossa balança comercial no ano passado.

Resumindo: a conjuntura – reservas altas, balança positiva, reformas em curso e estabilização da crise política – restaura a credibilidade do País e se reflete favoravelmente até sobre nosso maior gargalo: o endividamento público.

A dívida brasileira está bem posicionada e continua a atrair investimentos, segundo avaliação feita recentemente pela BlackRock, maior gestora de ativos do mundo.

O investimento direto estrangeiro no País somou 78,8 bilhões de dólares no ano passado e deve repetir a façanha em 2017, com o Banco Central projetando ingresso de pelo menos 75 bilhões de dólares.

Trocando em miúdos, o mundo volta a acreditar no Brasil.

Nem mesmo o efeito Trump – o “malassombro” do mundo – sinaliza, hoje, risco sobre nossas reservas.

Primeiro porque o dinheiro americano representa apenas 13% dos investimentos no Brasil – maciçamente oriundos da Europa. Segundo porque o foco do novo presidente dos EUA está na China (antagonista real) e no México (o vizinho que tanto o incomoda).

E ainda que Donald Trump confirme a elevação das taxas de juros americanas, continuaremos a ser um destino apetitoso para os investidores – não apenas em função da remuneração, mas também (e principalmente) pela recuperação de nossos sinais vitais econômicos, que refutam, por exemplo, a falta de liquidez e o calote do pagamento da dívida.

São bons motivos – concretos, pragmáticos, matemáticos – que me fazem seguir acreditando no Brasil.

Uma crença que – acreditem – já não alimento sozinho.

Continua…

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