PT: ? procura da estrela

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No auge dos seus 35 anos, o Partido dos Trabalhadores busca uma saída para a maior das crises de sua história. O saldo do Congresso Nacional da legenda, encerrado nesse sábado, em Salvador (BA), provou o atual momento de perplexidade vivido pela sua militância e principais lideranças.

É como se o PT estivesse num grande labirinto, tentando encontrar, sem achar ao certo onde e como, alternativas para a virar a página da maré negativa, agravada pelo abalo na sua credibilidade com o advento e exploração do Petrolão, uma versão piorada do malfadado Mensalão, que levou expoentes da sigla ao presídio.

As bordoadas deixaram petistas, Brasil afora, atordoados. O partido, forjado na luta contra a corrupção e estilingue por décadas das demais legendas, caiu na vala comum e perdeu o discurso da ética, tantas vezes inflamado para invocar seu diferencial programático, algo que não se sustentou na prática.

Na gestão, o PT também enfrenta uma situação delicada. As medidas tomadas pela presidente Dilma no seu contestado ajuste fiscal dividiram a legenda. Dilma, que sempre enfrentou críticas internas, está cada vez mais isolada internamente. O seu esvaziado discurso no Congresso, recebido com frieza pela militância, foi a prova cabal.

Emaranhada nesse turbilhão de problemas, a direção vê como caminho a seguir a reaproximação da sua aguerrida militância, além de voltar a dialogar com mais profundidade com os movimentos sociais. No poder, o partido perdeu essa liga com suas bases, em nome do pragmatismo e da competitividade política, apesar de ainda continuar sendo exemplo de democracia interna e vivacidade de seus organismos.

Presidente estadual do PT, Charlinton Machado, defende essa linha: “Devemos também aprofundar nossas alianças com os movimentos sociais. O partido deve estar atento ao que está acontecendo nas ruas, nas manifestações políticas e nos movimentos sociais, sem perder de vista esse leque de relações historicamente construídas”.

Por ironia do destino, no quarto mandato consecutivo comandando o Brasil, o PT procura uma estrela para guiar-lhe. As suas perderam o brilho que outrora iluminou gerações, empolgou multidões e acendeu esperanças.

Em respeito à Legislação Eleitoral, o Portal Correio não publicará os comentários dos leitores. O espaço para a interação com o público voltará a ser aberto logo que as eleições de 2018 se encerrem.

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