Questão de ‘timing’

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“Deus ajuda quem cedo madruga”, diz provérbio antigo, que foi colocado em prática na disputa pela Câmara de João Pessoa e tirou do prefeito Luciano Cartaxo a possibilidade de comandar o processo.

Tão logo o TRE encerrou a contagem dos votos, ainda na noite de 2 de outubro, e os telefones dos eleitos começaram a tocar. Depois dos parabéns obrigatório, a sondagem sobre o processo futuro e o pedido de votos. “Nunca foi tão rápido”, admitiram os vereadores Lucas de Brito e Raíssa Lacerda, em entrevista no Rede Debate da RCTV.

Os dois chegaram a colocar seus nomes para Presidente, mas admitiam acordo, desde que não fosse para a continuação de Durval Ferreira, que está no 5° mandato consecutivo, ou seja, há 10 anos manda na Câmara, e como lembrou Raíssa, o cargo não é vitalício.

Apesar das críticas de colegas governistas, Durval Ferreira não desistiu de disputar um 6° mandato. Estando na Presidência, teoricamente teria como influenciar e atrair apoios. Na prática, não foi o que ocorreu.

Os defensores da renovação copiaram a estratégia que foi vitoriosa na Assembleia, em 2015, e fecharam acordo para a eleição das Mesas dos dois biênios da legislatura que começa em 1° de janeiro: Marcos Vinicius para presidir a casa no primeiro (2017/2018) e João Corujinha no segundo (2019/2020).

A Câmara tem 27 vereadores. Durval tem maioria na base do prefeito. Dos 16 eleitos pela coligação de Cartaxo, tem apoio de oito. Com o dele, contaria com nove votos. Marcos Vinícius tem seis votos governistas, mas conquistou nove na oposição. Soma 16 votos. E ainda pode conseguir dois indefinidos da oposição.

O vereador oposicionista Bruno Farias (PPS) explica que foi a necessidade de alternância no poder e a garantia de que tanto a Mesa como as Comissões teriam composições ecléticas, que favoreceram a união em torno de Marcos Vinicius e de João Corujinha.

Foi quando saiu a primeira lista de apoio a Marcos e Durval assumiu a disputa, que o prefeito iniciou conversas para evitar confronto entre aliados. Ontem saiu uma carta compromisso que praticamente sacramenta a eleição da dupla Marcos/Corujinha, pois conta com 16 assinaturas de apoio. A essa altura, recuo seria desgastante. Pelo que ouvi de vereadores, Cartaxo perdeu o “timing” para um consenso na base.

TORPEDO

Sobressaiu-se quem conseguiu dialogar de maneira mais franca com a oposição. Nesse caso, Marcos [Vinicius] foi mais feliz, porque construiu mesas não só ecléticas, como também paritárias, coisa que Durval não conseguiu fazer.

Do vereador Bruno Farias (PPS), sobre o acordo que garante maioria para as chapas de Marcos Vinicius e João Corujinha, na Câmara da Capital.

Vice e deputado

O conceituado advogado Roosevelt Vita ainda estuda o caso, mas parece já ter encontrado a brecha legal que permitiria ao deputado Manoel Júnior assumir o cargo de vice-prefeito, sem perder o mandato na Câmara Federal.

A brecha

A resposta pode está na “suspensão” do exercício do mandato. Como não há vedação expressa da Constituição para a hipótese, a decisão terminativa não caberia à Justiça, mas seria privativa da Câmara Federal.

Prazos

A diplomação dos eleitos na Capital será amanhã e Manoel Júnior vai comparecer. Depois, serão mais 15 dias até a posse, em 1° de janeiro, que poderá adiar por mais 10 dias, se precisar esperar a decisão de Brasília.

Paraibanos

Onze senadores estiveram ausentes, mas os três paraibanos – Deca, José Maranhão e Raimundo Lira – compareceram e votaram a favor da PEC que impõe teto para gastos públicos, aprovada por 53 a 16 votos no Senado.

ZIGUE-ZAGUE

+ Para o presidente do INSS, Leonardo Gadelha, a unificação da idade de aposentadoria para homem e mulher provocará mudança de hábitos nas famílias.

+ Acha que com direitos equivalentes, os homens serão obrigados a assumir tarefas que antes deixavam para as mulheres, reduzindo sua dupla jornada. Será?

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