Ser republicano

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A maioria de nós gosta de dizer que é republicano – especialmente aquela maioria que circula pelos corredores de Brasília.

Mas o que é (e o que faz) um ser verdadeiramente republicano?

Em primeiro plano, entende e pratica a essência dessa estrutura – etimológica e pragmaticamente.

Isto significa dizer que enxerga a res pública (coisa publica, no latim) com a forma e a fisionomia do próprio povo – até porque é esse conjunto que exerce a soberania, por intermédio de seus eleitos.

Dele (povo) emana o poder. E de seus interesses plurais – em contraponto com os particulares e privados – se formata o sistema republicano nosso de cada dia.
Cícero, porém, se revolveria na tumba se antevisse, lá na Roma antiga, como seus conceitos aportariam no século XXI tão escandalosamente deturpados. E praticamente esquecidos.

A verdade é que, para a maioria de nós, o ser republicano se manifesta quando o feriado da proclamação cai em dia útil. Não somente durante a semana, mas bem no meio dela – para se enforcar alguma coisa (que não é mais Tiradentes).

Por um capricho do calendário, o 15 de novembro de 2015 caiu em um domingo. E lá fomos nós para a praia, alheios à data e seus significados.

Afinal, quem arrisca calcular o percentual da população que reverenciou a República no último domingo? Ou que sequer lembrou, hoje, do Dia da Bandeira?

A verdade é que, de uma ponta a outra desta República continental, não se ouviu um único pronunciamento; não se realizou qualquer ato ou cerimônia; não se prestou nem a mais singela das homenagens.

Aos poucos estamos, lamentavelmente, perdendo nossas referências. E isso não é qualquer coisa.

Quando honramos nossos símbolos e conquistas, nos conectamos e nos identificamos como nação.

Não sem razão, os franceses se embrulham na bandeira no 14 de julho.

O Brasil também já deu mais importância às suas datas nacionais. No meu tempo (e não sou tão antigo assim), a proclamação da República seria capa dos principais cadernos da mídia.

Hoje, o Ministério da Educação tem outras prioridades.

Nossas crianças não se postam diante da bandeira. Nossos cadernos não ilustram os símbolos nacionais. E as novas gerações têm dificuldade até de entoar o Hino Nacional.

Pode parecer saudosismo besta, mas em meio aos semblantes desinteressados que presenciei no último domingo, eu só tenho uma coisa a dizer:

Que saudades do Brasil da minha infância!

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