Sete exposi??es movimentam a programa??o da Esta??o Cabo Branco

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 Dando início ao ciclo de exposições a Estação Cabo Branco- Ciência, Cultura e Artes abriu na semana passada mais um mostra intitulada “Fúria da Sereia”, do estilista Ronaldo Fraga. Além desta exposição, o público poderá conferir as exposições “30 anos da artista plástica, Sayonara Brasil”, “Resignificar” e “Singularidades”. Estas últimas se encontram expostas no hall de entrada da galeria de arte da Estação das Artes Luciano Agra, prédio ao lado da Estação Cabo Branco.

Para quem prefere instalação e fotografia poderá ver no primeiro pavimento da Torre Mirante as exposições: “Troncos Velhos e Galhos Novos” (Alberto Banal), “Rituais do Ver” (Fátima Carvalho), “Agô” (Roberta Guimarães). Todas as exposições podem ser visitadas de terça a sexta-feira das 9h às 21h e sábados, domingos e feriados das 10h às 21h, sempre com entrada gratuita ao público de todas as idades.

Fúria

Do fundo do mar para a galeria da Estação das Artes Luciano. É lá que o visitante vê a exposição “Fúria da Sereia” do estilista Ronaldo Fraga, em colaboração com o projeto Sereias da Penha da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP).

Nessa exposição, o público verá o trabalho artesanal criado em João Pessoa que foi transformado sob a perspectiva e olhar do design, Ronaldo Fraga. Além de passear pelos conceitos da moda, a exposição ainda passa pelo universo da economia criativa, em que está abrindo portas para pequenos e grandes ateliês.

Segundo o estilista, Ronaldo Fraga, as joias confeccionadas pelas artesãs é o resultado de um trabalho conjunto que reverbera em outras comunidades. “Essa parceria desenvolveu não só a possibilidade de emprego e renda, mas é uma questão de apropriação cultural. Temos um trabalho de alto nível e interdisciplinar em que a moda dialoga com gestão pública, questões ambientais, design e outros tantos aspectos”, completou.

Por meio das peças autorais, criadas a partir do saber popular e da apropriação cultural, o público ainda reconhece a importância da preservação ambiental e dos ecossistemas a partir do reaproveitamento e ressignificação de materiais que fazem parte do dia a dia das comunidades de pescadores e que costumavam ser vistos como lixo ou sem valor econômico.

Sereias da Penha 

O projeto Sereias da Penha é uma iniciativa promovida pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Trabalho, Produção e Renda, através do Programa João Pessoa Artesã (JPA), em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) e Sebrae Paraíba, que possibilitou as mulheres artesãs capacitação, tendo uma nova atividade econômica. A primeira-dama da Capital, Maísa Cartaxo, é coordenadora do Programa JPA.

Sayonara Brasil – Além da exposição “Fúria da Sereia”, o visitante poderá ver ainda “30 anos da artista plástica, Sayonara Brasil”. Sua mostra, que exposta juntamente com amigos artistas, faz parte do “Festival 6 Continentes”, que acontece todos os anos em Lisboa (Portugal) e vários países da Europa. Entre os artistas convidados estão: María Mercedes Davison Escoz (Uruguai), Ileana Dimitriu (Alemanha), Lúcia Rousset (RJ) e xilogravuras de Marcelo Soares (PB). São ao todo 29 pinturas e 56 desenhos, com várias temáticas, como “Aboiô” e “Xadrez”.

Na exposição o visitante vai encontrar as primeiras obras da artista, como a série experimental intitulada “Peixes”, de 2008/2009. E também as mais recentes “Borboletas”, em óleo sobre tela. Sobre os 30 anos de carreira Sayonara Brasil avaliou como positiva e com muitas lutas e conquistas. “O que sinto, hoje aos 30 anos de carreira e 50 de idade, é uma necessidade de aprender e compreender as obras de Deus e da vida. A arte vem em consequência desse amor pela vida que você vai atraindo para si próprio”, comentou.

Resignificar – Ainda no mesmo prédio, o público poderá conferir a exposição “Resignificar” da artista plástica, Aída Martins. A exposição, que permanecerá aberta até o dia 11 de novembro, é uma junção de obras que trabalham com várias linguagens, usando velhas e novas técnicas, sempre tentando expor as matrizes e seus desdobramentos as quais ela pertence.

Com pinturas e “assemblages” a artista Aída Martins propõe apresentar matrizes bordadas com materiais que vão sendo descartados ao longo dos dias, sobre TNT preto, no qual vão sendo retirados desdobramentos coloridos com giz de cera e caneta esferográfica, pastel, ou acrílica sobre diversos papéis ou tela.

“Dizem que a arte é expressão, comunicação e linguagem latente das nossas emoções. Ela se propõe a algo que é pessoal e único, expressando um quadro interior como registro singular, documentando nossas criações envolvendo várias instâncias, nos auxiliando no resgate do nosso saber interior, transformando a realidade e a nós próprios”, disse a artista Aída Martins.

Singularidades – E para fechar o tour pela Estação das Artes, no hall de entrada o visitante verá a exposição “Singularidades”. De autoria da artista plástica, Célia Gondim as obras expostas são pinturas com temas sobre o cotidiano, as inspirações da artista e gestos permeados de simplicidade, com delicadeza impressa no traço, e no vigor das cores puras de sua pintura naif. Além da leveza explícita em suas obras. São ao todo 17 pinturas em pequenos formatos e 11 bastidores com bordados.

“Trago em meinhas pinturas figuras com olhares singelos que, parecem estar à espera de um novo tempo. Elas estão sob os desígnios da arte e da esperança de novos gestos”, comentou a artista, Celia Gondim.

Torre Mirante – A exposição “Agô” conta com 30 fotografias que revelam a natureza e o ambiente dos terreiros de umbanda de 14 terreiros da cidade do Recife (PE), além de vídeo informativos fruto de uma longa pesquisa da fotografa Roberta Guimarães. A curadoria da exposição é de Raul Lody, com apoio local da curadora geral da Estação Cabo Branco, Lúcia França. Esse trabalho foi registrado no livro “O Sagrado, a pessoa e o orixá”, lançado em 2014 em Recife.

As fotografias mostram a grande influência africana na formação da identidade brasileira. É um mergulho nas particularidades dos rituais do xangô, assim como no vídeo que foi produzido pela artista. Roberta Guimarães explicou que este trabalho não se limita à questão religiosa, mas trata de questões como respeito, solidariedade, com um forte componente de gênero. “No Xangô, o feminino e o masculino aparecem de forma mais livre. Um orixá masculino pode se manifestar em uma filha de santo”, disse.

O conceito fica claro na abordagem dada aos dois vídeos, em que apresenta uma espécie de “crossdressing” (termo que se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto), mostrando a transformação de dois filhos de santos em entidades de sexo oposto. O vídeo que será exibido trará imagens dos terreiros, dos rituais e entrevistas com filhos e pais de santos falando sobre suas relações com a religião e detalhes da vida do terreiro.

Troncos Velhos e Galhos Novos – Ainda na cultura africana, temos a mostra “Troncos Velhos e Galhos Novos” do fotografo, Alberto Banal. A mostra retrata as duas fases específicas do povo quilombola, a dos idosos, que representa a raiz da tradição (o “antigamente”), e a das crianças, que representa o grande potencial de futuro (o “futuramente”). Enquanto os anciãos carregam os valores da ancestralidade e garantem a continuidade da tradição, as crianças constituem uma geração chave e estratégica para o futuro que pode ser o começo de um novo tempo, como também a última etapa da dissolução de muitas comunidades.

“Existe uma geração que está vivendo e sofrendo o advento da modernidade em todos os seus aspectos sociológico, tecnológico, antropológico, enquanto a transmissão da cultura tradicional está se perdendo num esquecimento assombroso”, comentou Alberto Banal.

As crianças, que aparecem nas imagens da exposição, fazem parte do Projeto Escrilendo, uma atividade da Associação de Apoio as Comunidades Afrodescendentes da Paraíba (AACADE), em parceria com Casas de Leitura, Casa dos Sonhos e os amigos italianos da Associação Uniti Per La Vita e do grupo Just Dance. O projeto incentiva o prazer da leitura e escrita, e propõe resgatar e reforçar a identidade cultural das comunidades quilombolas dos municípios de Matão, Matias e Pedra d’Água.

E indo um pouco mais além, fora do Brasil, temos a exposição da fotografa, Fátima Carvalho, “Rituais do ver”. Com sotaque característico de sua terra natal, o Porto (Portugal), a artista plástica Fátima Carvalho explicou que as fotografias foram tiradas em vários espaços de arte dentro e fora de Portugal, museus e em galerias de arte privada e públicas, nos pequenos e grandes acontecimentos que geram os circuitos de arte contemporânea.

A diferença destas imagens é que elas são sobrepostas em papel algodão, um material especial de um custo mais alto do que o papel alcalino normal. “Optei pela qualidade, por isso precisa ser manuseado com luvas. Assim também garanto que a imagem dure mais e o papel não fique com a cor amarelada do tempo”, explicou Fátima Carvalho.

Em “Rituais do Ver”, as fotografias não abandonam a sua categoria de testemunho, mas ao contrário, incorporam uma à outra e com imagens que interpelam a nossa condição de meros espectadores. Esse discurso visual que apreciamos na fotografia de Fátima Carvalho se deve a prática artística dos últimos 50 anos.

SERVIÇO:
Fúria da Sereia
Troncos velhos e Galhos novos
Rituais do ver
Agô
30 anos de Arte Sayonara Brasil e amigos
Resignificar
Singularidades
Local: Primeiro pavimento da Torre Mirante e Galeria da Estação das Artes Luciano Agra, Altiplano
Horário de visitação: Terça a sexta-feira – 9h às 21h
Sábados, domingos e feriado – 10h às 21h.
Fones: 3214.8303 – 3214.8270
www.joaopessoa.pb.gov.br/estacaocb
Entrada gratuita

 

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