Subestimar

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Tenho tido a graça divina de conviver com pessoas formidáveis – seja pela competência e caráter; consistência e fidelidade; inteligência e criatividade.

Ou mesmo pelo pacote completo.

E esta é uma relação longeva. Alguns já atuam ao meu lado há mais de 45 anos. Nessa convivência, crescemos e aprendemos juntos.

E de um colaborador mais iluminado e estratégico aprendi, há muitos carnavais, uma premissa básica, efusivamente recomendada: nunca, sob hipótese alguma, subestime uma pessoa.

E isto vale tanto para os adversários como para os “amigos”.

Aprendi a lição.

Adversários trato com respeito. Os que estão – pelo menos supostamente – mais próximos, a receita é a cautela.

Obviamente, com este procedimento, você não fica imune às pretensões alheias. Não subestimar não significa dizer que, em dado momento, você não será subestimado.

Ter a humildade de reconhecer o valor do outro não evita o encontro com a soberba.

Pois esta colisão fatalmente ocorrerá algumas vezes na trajetória da vida.

Comigo, coleciono um punhado de abalroamentos dessa natureza. Elas não me chateiam. Nem surpreendem. Afinal, quem não subestima não é pego de surpresa.

Verdade seja dita, é até divertido – com a maturidade que tenho – assistir determinadas pessoas fazendo cálculos demasiadamente baixos a respeito da percepção alheia.

É mais divertido ainda vê-los subestimando o mundo, acreditando piamente que do alto de suas inteligências alucinadas (aliadas à fidelidade zerada), são capazes de treinar suas cobaias para a cultura da subestimação.

Será que estão testando, com o termômetro alheio, até onde poderão invadir sem serem percebidos?

Lamento pelos que se submetem (consentido ou não) a fazer o experimento, pois estão a serviço não de seus projetos, mas de quem está na ponta, induzindo.

Subestimadores têm julgamento muito elevado de si mesmos. Julgam, por exemplo, que estão em uma espécie de firmamento da esperteza intelectual, de onde espreitam os demais.

A queda é grande. Sempre é.

Pois qualquer projeto baseado nesse tipo de estratégia está condenado ao fracasso. Até porque inteligência não é exclusividade do subestimador. Ele apenas acha que é.

Deus, que é mais generoso, soube distribuir bem a cota de cada um.

A que coube a mim, me aparta das pretensões.

Não precisei subestimar para aprender a voar.

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