Tite deixa críticas de lado e fala em contribuir com a Seleção Brasileira

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Agora é oficial. A CBF apresentou na tarde desta segunda-feira (20) o técnico Tite como novo comandante da Seleção Brasileira. O ex-treinador do Corinthians esteve na sede da entidade, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde visitou o museu da CBF e concedeu sua primeira entrevista coletiva no cargo.

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Logo na primeira pergunta dos jornalistas, uma dividida. Tite foi questionado sobre as razões que o fizeram aceitar o convite meses depois de ter assinado um manifesto pedindo a renúncia do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, investigado pelo FBI no escândalo de corrupção da Fifa.

“A minha atividade e o convite feito foi para ser técnico da Seleção Brasileira de Futebol. Entendo que essa atribuição é a melhor maneira para contribuir com minha ideia de vida: transparência, democratização, excelência, modernidade. Houve dois aspectos fundamentais: autonomia e a busca pela excelência, o melhor do futebol, e isso eu sei fazer”, disse Tite. “Respeito posições contrárias, reitero que me foi dada atribuição com seleção e é a melhor maneira de contribuir. Um objetivo pessoal de construção de carreira, julguem como quiserem, mas minha contribuição para o futebol é aquilo que sei. Essas ideias de transparência e democratização continuam como princípios meus”, completou.

Tite assume a seleção em um momento conturbado, com a equipe vindo de dois fiascos seguidos na Copa América e em sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018. O primeiro compromisso do novo técnico será em 2 de setembro, contra o Equador. A partida, em Quito, será válida pela sétima rodada das Eliminatórias. Em seguida o desafio é contra a Colômbia, em Manaus.

Assumir com pressão:

“Ideal é início de trabalho. Fiquei sentado numa poltrona em 2014 e não veio. Porque as coisas têm seu tempo. Veio agora, entendi que devia aceitar, por fazer parte da minha carreira estar técnico da Seleção Brasileira. Um objetivo pessoal e talvez o meu melhor momento profissional. Ganhando, mas perdendo muito. Coragem assumir agora”.

Primeiras atividades:

“Vamos viajar amanhã para ver jogo da Colômbia [contra o Chile, nos EUA]. Tenho que me reinventar como técnico e quero assistir in loco o nosso rival [no dia 6 de setembro, pelas Eliminatórias]”.

Sequência de técnicos gaúchos na seleção:

“Não acredito em escola gaúcha de técnicos, acredito em escola brasileira. Duas vertentes separadas, uma que premia a triangulação, organização e posse de bola, e outra mais do contato físico e bola longa. Há técnicos gaúchos das duas escolas. É a escola do seu Telê ou a do seu Ênio Andrade”.

Recusa de assumir o time olímpico:

“Era muito fácil prever estar na Olimpíada e trazer os louros. Se ganha, medalha de ouro. Senão tem desculpa pronta de ter assumido em cima da hora. Isso eu não faço. A prioridade é a Seleção Brasileira e desenvolver trabalho em cima da classificação. Preciso ajustar, estar dentro dessa situação o mais rápido possível. Respeito total ao Rogério Micale [técnico da seleção olímpica] e a maior probabilidade de sucesso é com ele e sua equipe”.

Chance de ficar fora da Copa:

“O foco é classificação para o Mundial. Não estamos na zona de classificação. Acredito que trabalho vá dar condição, mas claro que corremos risco. Se não aceitar possibilidades vai fugir da realidade. Estou aqui porque o resultado não veio. Equipes se montam, se formam, se consolidam e crescem. É assim nas equipes, e tenho a experiência como técnico de clubes. E vejo assim nas seleções”.

Identidade da equipe:

“Triangulações, troca de passes e infiltrações. De transição, perder a bola e ter iniciativa em pressão alta, média ou baixa. Organização de bola parada importante e consistente. Desafio de me reinventar. Peço que clubes me proporcionem um dia de treino e conversa com técnicos, conhecer características, como posso intervir, onde jogadores podem render”.

História canarinho:

“Ela inspira e faz o joelho balançar. Eu me lembro de 1970, ouvindo com 8 anos o rádio, o Tostão recebe a bola, passe e infiltração do Clodoaldo, empatamos e eu saí vibrando, feliz da vida. Ou a Copa de 82 que me marcou pela beleza, sou fascinado por meio-campistas. Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico”.

Capitão da seleção:

“Podemos divergir de ideias, é da vida, mas com respeito. Todos têm uma responsabilidade em cima da performance, todos vencem, essa é a grande marca de uma equipe de futebol. Essa mudança de capitania traz isso. Há diversos perfis de liderança: técnica, comportamental, o que consegue externar de forma pública as ideias, o exemplar”.

Mãe:

“Peço para as pessoas terem cuidado, carinho, porque se falarem com ela a emoção vai aflorar. Eu disse a ela hoje de manhã quando acabou a reunião do Gilmar [Veloz, empresário]: ‘Mãe, teu filho é técnico da seleção’. Ela começou a chorar e me deu bênção”.

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