Estou apreensivo com a cada vez menos privada vida das pessoas em quase todos os pontos da Terra. Depois da Internet, isso então desandou. Redes sociais e serviços de busca têm um controle sobre tudo que pesquisamos na Grande Rede (a “Big Sister”?).
Na Casa Branca, Barack Obama (a quem considerava como uma esperança de mudança) não apenas manteve a fiscalização antidemocrática, em vigor desde o atentado das Torres Gêmeas, como a expandiu. A título de preservar a segurança pública com medidas preventivas, o controle da CB grava registros de conversas telefônicas e de e-mails, nos EUA e outros países. As decisões de Obama foram denunciadas por Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional, aos jornais “The Guardian” e “The Washington Post”. Caiu a máscara do presidente que considerávamos como arauto da transparência.
O FBI e a ASN violam a privacidade. Com maior gravidade, o que acontece lembra o “Big Brother” criado por George Orwell no romance “1984”. A boa ficção – que sempre foi o caso de Orwell – sempre é profética. A história se repete com o retorno do dilema segurança da sociedade versus direito à privacidade. Lembro o
filme “Privilégio”, um dos preferidos de Bráulio Tavares. A proteção antiterrorismo não pode permitir ao governo o acesso completo a dados privados de qualquer cidadão.
Isto é cercear liberdades. Não é a democracia de que tanto se gabam os EUA.
Para escrever “1984”, Orwell alegou ter se inspirado com a reunião dos líderes dos Aliados na Conferência de Teerã, em 1944. O escritor estava convencido de que Stálin, Churchill e Roosevelt conscientemente traçaram um mapa para dividir o mundo. Talvez hoje a Inglaterra, os Estados Unidos e a Rússia queiram “um só mundo ocidental”, até para o exercício pleno da Nova língua, que na Internet é recheada de expressões como “LOL” e “OMG”.
Há uma esperança. O povo americano hoje é muito mais politizado do que no recente século passado. Tanto que após as revelações sobre o monitoramento de registros telefônicos e da Internet, ordenado por Obama, uma edição que une “1984” e “Revolução dos bichos”, ambos de Orwell, subiu as vendas em 314%. Resistir é preciso.