João Azevedo bem que tentou, mas não conseguiu puxar Luciano Cartaxo para embate verbal. Dificilmente sua substituta, Cida Ramos terá mais sucesso, mesmo tendo um discurso mais agressivo. Não é por conta apenas do temperamento ou mesmo estratégia eleitoral, mas porque o prefeito está convencido de que, diante da gravíssima crise nacional, o gestor que não estiver focado no trabalho pode não ter como pagar as contas, entre elas os salários dos servidores.
O presidente do PSD de João Pessoa, Lucélio Cartaxo garante que é essa determinação que possibilitará ao irmão entregar 50 novas obras até o dia 5 de agosto, quando a Capital da Paraíba estará completando 431 anos. E que também dará a ele condições para enfrentar desafios de comparações, como o anunciado pelo governador Ricardo Coutinho.
Lucélio lembra que Ricardo Coutinho, entre Prefeitura e Estado, está no poder há 12 anos, contra 3,5 de Luciano; que o orçamento do Estado é muito superior; que administrou João Pessoa em período de grande prosperidade no país, elevado a 5ª economia do mundo; que as receitas públicas eram crescentes, ao contrário do Brasil atual, com 11 milhões de desempregados e empresas fechando.
O dirigente do PSD garante que apesar das disparidades, Luciano tem muito para mostrar. Cita 7,5 mil novas moradias; o balanço do Banco Cidadão que mostra que já investiu mais que os dois antecessores juntos; os números da Educação – elevou de 4 mil para 12 mil as vagas em creches e instroduziu berçario com padrão de qualidade reconhecido – e da Saúde – está triplicando as UPAS e mulheres de vários municípios vem para ser atendida na Cândida Vargas, que supre a ausência do Estado. Só no Centro Histórico são 10 obras, entre elas a Lagoa.
Enquanto Luciano investe na gestão, Lucélio faz política. Já é certo que o PSD caminhará com PP, PCdoB, PRB, SD, PHS, PSDC e PMN. Acredita que contará também com o PSDB. Quanto ao PMDB, diz que em respeito à candidatura do deputado Manoel Júnior, não cogita conversas neste primeiro momento. Fica para o futuro.
No presente, deixa uma sugestão ao governador: que siga o exemplo do prefeito e não antecipe a campanha. Trabalhe por João Pessoa, preferencialmente pela Segurança Pública, pois criminosos já assaltam até a cavalo, impunemente.
Torpedo
“A força capaz de nutri-lo não virá das cúpulas partidárias nem dos arranjos, por mais engenhosos, de bastidores ou do atendimento a interesses corporativos. Virá das ruas, da fonte e da origem de todo o processo, que levou ao fim a Era PT”.
Do senador Ronaldo Caiado (DEM), recomendando coragem a Michel Temer para resistir ao loteamento de cargos e pensar apenas no Brasil.
Agenda singular
Nunca antes o Senado Federal recebeu tanta atenção dos brasileiros. E a agenda desta semana vai atrair grande audiência, porque inclui cassação, impeachment e pode terminar com a posse de um novo Presidente.
Olhos abertos
A semana começa eletrizante: às 14, na sessão ordinária, será lido o parecer aprovado pela Comissão do Impeachment. Às 16h, a CCJ vota parecer do Conselho de Ética pela cassação do senador Delcídio do Amaral.
Explosiva
Presidida por José Maranhão, a CCJ abriu uma exceção e deve ouvir o senador Delcídio do Amaral, que até agora só falou para a PGR em sua delação premiada. Promete contar tudo. Estará ao vivo para todo o país.
Eletrizante
Na terça, o caso Delcidio vai a plenário para o desfecho. Na quarta, será a vez dos senadores decidirem o destino de Dilma. Como 81 tem direito a falar, a votação pode ocorrer só na quinta, seguida da posse do interino.
Zigue-Zague
Se Michel Temer assumir, será o 22° bacharel em Direito entre 41 presidentes do Brasil. E um paulista nato, após um século. O último foi Rodrigues Alves.
Temer é autor de quatro livros, um de poesia, “Anônima intimidade”, onde escreve: “Quando parei/ Para pensar/ Todos os pensamentos/ Já haviam acontecido”.