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A li??o dos franceses

O ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo” foi mais do que punição a jornalistas que escolheram o humor para expressar suas opiniões. Atiraram nos chargistas, mas o alvo foi a liberdade de expressão, a alma do mundo democrático.

Os jornais, emissoras de rádio e televisão, revistas e portais são meios de informação das sociedades, feitos por profissionais que relatam e interpretam os fatos. Mas, ainda temos as redes sociais, onde todos se expressam livremente. Funcionam graças a liberdade de expressão garantida pela democracia, que tem leis para conter e punir excessos.

O papel da imprensa é tão relevante que mesmo na morte têm força para provocar uma resposta histórica ao terror. A estimativa é de que 3,7 milhão de franceses e 44 líderes mundiais participaram da ‘Marcha de Paris’ e de atos nas principais cidades da França, ontem. Inimigos históricos caminharam lado a lado em defesa da liberdade e contra o terror, como os dirigentes de Israel e da Autoridade Palestina.

Desde o 11 de setembro de 2011 em Nova Iorque, nenhuma resposta foi tão inteligente como a francesa, que ao invés de priorizar retaliações bélicas, uniu a nação na reafirmação da liberdade, desmoralizando o objetivo do terror, de se impor pelo medo. E lá estavam cristão, judeus, ateus e muçulmanos. Sim, muçulmanos, inclusive com faixas que proclamavam: “Não em meu nome” e “Eu sou muçulmano, eu não sou terrorista”.

A imprensa não faz leis, não julga, não decide investimentos, mas é chamada de 4º poder porque pratica no dia a dia a liberdade de expressão, dando aos cidadãos as informações que precisa para exercer sua cidadania. Sem ela, faria simples registro da visão dos donos do poder, como já aconteceu no passado recente do Brasil, quando jornais publicavam receitas culinárias em espaços de notícias censuradas.

Que esse episódio ilumine a presidente Dilma Rousseff, levando-a a recuar da intenção, anunciada há 10 dias pelo ministro Ricardo Berzoini (Comunicação), de ‘regulamentar’ a mídia. A intenção é controlar quem divulga os escândalos no governo?

A crítica, seja irreverente, mordaz, cáustica, picante e até maldosa, é da democracia. Que a intolerância, que Dilma enxergou e condenou no ataque ao “Charlie Hebdo”, não encontre morada no nosso Brasil.

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