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A lista e a cautela

Todos os poderosos da República estão na lista de Fachin. São 98 nomes nos 76 inquéritos que autorizou como resultado das declarações da Odebrecht. Com esses, já tramitam no STF um total de 103 inquéritos da Lava Jato, com 194 investigados, entre eles cinco ex-presidentes do Brasil – Fernando Collor, José Sarney, FHC, Lula e Dilma Rousseff – e os presidentes da Câmara e do Senado Federal.

Impossível não repetir a pergunta do Legião Urbana: “Que país é esse?”. E o assombro cresce com os outros números: são nove ministros, sendo um do TCU, 12 governadores (o número pode aumentar), 28 senadores (34,5% do Senado), pelo menos 39 deputados e 16 partidos acusados de receber vantagens indevidas da Odebrecht.

Por enquanto, são apenas “suspeitos”. O que Fachin fez foi autorizar investigações com base no que disseram os delatores. Se os fatos apontados forem comprovados, poderão ser denunciados pelo PGR, mas só virarão réus se o relator da Lava Jato concordar com a avaliação.

Contudo, considerando que os delatores não podem mentir sem perder o benefício negociado, o que dizem tem muita força, danifica a reputação dos políticos e pode destruir carreiras consolidadas.

Diante desse fato, outra pergunta inevitável: por que seus adversários não estão aproveitando para fazer a dança da vitória?

Pela incerteza em relação ao futuro. A Lava Jato não chegou ao fim. Saiu a lista da Odebrecht, mas outras estão a caminho. A negociação com a OAS, por exemplo, foi retomada há uma semana, e tem ainda Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Mendes Júnior…

Como até 2014 a legislação permitia financiamento de empresa, pedir doação era prática comum de partidos e candidatos. O crime estaria em oferecer contrapartida. Então, o perigo cerca todos os que já receberam qualquer contribuição das investigadas na Lava Jato, sem falar no efeito dominó: uma delação está provocando outras.

Na lista de Fachin tem três paraibanos: o senador Lindbergh Farias, eleito pelo PT do Rio, o ministro Vital do Rêgo (TCU), e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB).Todos disseram confiar que a Justiça atestará que são inocentes. Os adversáriosficaram calados. Tem muito a ver com o efeito Orloff, o que alerta “eu sou você amanhã”.

TORPEDO

O pedido de ajuda era, de fato, feito por ele [Lula], diretamente a mim, mas combinávamos sempre de designar um representante de cada lado para negociar os valores e combinar os detalhes.

De Emílio Odebrecht, em depoimento ao MPF sobre sua relação com o ex-presidente Lula e o PT.

Julgamento

O deputado Veneziano Vital do Rêgo lamentou a condenação antecipada dos que ainda serão investigados, simplesmente por terem sido citados. Disse que o ambiente no País é de “crucificação” e que éum erro grave.

Palmo a palmo

Efeito da inclusão de Cássio Cunha Lima na lista da Odebrecht: a disputa entre os prefeitos Luciano Cartaxo (João Pessoa) e Romero Rodrigues (Campina) pela candidatura ao governo, tende a crescer no bloco oposicionista.

Água em…

O ministro Helder Barbalho (Integração), acompanhado de senadores, deputados e prefeitos, assistirá, hoje, a chegada das águas do São Francisco a Boqueirão, onde restam apenas 3% do estoque de água.

… Boqueirão

Campina Grande e os 18 municípios abastecidos por Boqueirão estão sob racionamento desde dezembro de 2014. Sem a transposição, havia alto risco de colapso. O ministro vai atestar que a promessa foi cumprida.

ZIGUE-ZAGUE

+ O impacto da lista de Fachin não impediu o Copom de reduzir a taxa de juros em um ponto percentual, de 12,25% para 11,25% ao ano, medida aprovada pelo mercado.

+ O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) acha que a crise não impedirá a aprovação da reforma da Previdência, mas não descarta que fique para o 2° semestre.

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