Na hora em que muitos brasileiros tentam passar o País a limpo, o governo federal dá um péssimo exemplo ao maquiar a contabilidade pública, alterando os cálculos do superávit primário de 2014. De maneira não republicana, o governo vincula a liberação das emendas parlamentares à aprovação da PLN36, que salva o governo de erros cometidos.
Uma vergonha essa chantagem explícita aceita pela maioria dos parlamentares. O Congresso socorre o governo por excesso de gastos irresponsáveis, lhe dando meios para justificar erros e omissões e não pagar os juros totais da dívida. É estranha essa ação dos parlamentares, podendo-se concluir que outras decisões virão contra o povo, como o retorno da Cide, mais impostos e juros, e a própria CPMF, agora defendida por vários governadores eleitos e governo federal.
Quanto à CPMF, confesso que votei favorável à criação, diante dos argumentos e da credibilidade do então Ministro da Saúde Adib Jatene. Infelizmente, não melhorou a saúde pública, pois o sistema dominante e os do andar de cima passaram a desviar recursos, utilizando-os até em banquetes e turismo. Desmoralizada pelos desvios, foi revogada anos depois. Agora querem ressuscitá-la. Mais um golpe contra o bolso do contribuinte, com o beneplácito do Congresso. É por isso que os partidos e toda classe política são pessimamente avaliados pelo povo.
Para agravar mais seu conceito, o Congresso está deixando de punir alguns componentes altamente comprometidos com organizados esquemas de corrupção. Recordo-me que já foi mais vigilante. Na legislatura que participei, cumprimos e punimos com mais rigor e independência casos de corrupção.
Foram cassados os sete anãos do orçamento que obtiveram grandes lucros ilegalmente. O Congresso já cassou o próprio presidente da Casa, deputado Ibsen Pinheiro. Dois deputados de Rondônia que usavam motosserra para fatiar seus inimigos ou adversários políticos e, finalmente, o próprio Presidente da Republica, Collor de Mello, por corrupção e escândalos, que se fossem comparados com os de hoje como o mensalão e o propinoduto da Petrobrás, talvez todos fossem absolvidos ou perdoados.
Vejam como progredimos no ato de burlar a lei e de furtar. Isso nos envergonha quando já ostentamos o 69º lugar no ranking mundial da corrupção e, talvez pelos últimos acontecimentos que estão abalando o País, sejamos presenteados com uma promoção mais negativa. E isso não é um título que se ostente com orgulho.