Quando se escreve duas colunas semanais, cumprir pauta passa a ser uma obrigação. Há cinco anos, me empenho nesse prazeroso dever.
São milhares de linhas e, nelas, uma extraordinária exposição.
As vezes, me flagro pensando que imagem venho construindo e expondo ponto a ponto, parágrafo a parágrafo.
Fazendo um retrospecto rápido, fica patente (pelo menos para mim) que a crítica é mote presente em percentual significativo dessa quilométrica redação.
Mas lhe garanto: não se trata de mal humor. Embora seja um tanto difícil – e isso admito – não se deixar influenciar pelo clima empresarial intranquilo que sopra por estas bandas nos últimos anos.
Neste domingo, porém, decidi que faria esforço maior para esquecer o azedume e me concentrar numa pauta mais propositiva.
Olhei pro lado, depois pro outro e quando já estava quase entregando os pontos, eis que o Jornal Correio me oferece, de mão beijada, uma oportunidade de dar boas novas.
Na edição da última quinta-feira, 17, o IBGE divulgou dados que apontam para um inusitado crescimento do comércio varejista na Paraíba.
Em plena crise, conquistamos a façanha de crescer 1,3% em julho em comparação com a performance aferida no mesmo período de 2014.
Apenas mais três estados (Roraima, Pará e Amazonas) conseguiram fechar julho com percentuais positivos.
Não é pouca coisa. O varejo não admite maquiagens ou pedaladas. Não engana.
É um dado seguro e incontestável do ritmo econômico onde se insere.
Enquanto aqui cresce, gigantes do comércio varejista amargam vexatório encolhimento. São Paulo, por exemplo, fechou julho com recuo de 1,6 %.
Paraná e Rio Grande do Sul colheram resultados ainda piores: menos 2,2 e menos 2,6 por cento, respectivamente.
A conta final apresentada pelo IBGE também aponta saldo negativo: as vendas do varejo nacional caíram 1% em julho – o sexto recuo consecutivo.
Concentrando o foco neles, este é mais um artigo candidato a engrossar as estatísticas que corroboram meu suposto azedume.
Meus holofotes, porém, miram a Paraíba.
Os Golias estão abatidos. Nós não.
E se nos acostumamos a ver a Paraíba excluída dos bons momentos deles, podemos nos exceder quando o jogo vira.
Na contramão da maré econômica negativa, a Paraíba reage.
E, afinal, é aqui que vivemos e ganhamos a vida.
Então, comemoremos:
Viva a pequenina!