Foi do velho Ulysses Guimarães, deputado constituinte, uma das vozes que mais se levantaram no combate a ditadura que prevaleceu no País por mais de 20 anos, que eu ouvi a frase lapidar: “o segredo de se viver bem é fazer do dever um prazer”. Observe-se que ele não disse que a receita seria “fazer o que gostamos”, mas aprender a gostar do que se fazemos.
Já o meu pai, que também pensava assim, acrescentava que “só o trabalho enobrece e dignifica o homem” e o mestre Gonzaguinha daria contornos definitivos a esse conceito ao afirmar em sua canção: “o homem se humilha se cassam os seus sonhos, e o sonho é sua vida e a vida é o trabalho. E sem o seu trabalho, o homem não honra. Não dá para ser feliz”.
Essas reflexões de hoje emergem comigo por conta das dificuldades naturais que atravessamos na vida, quando super-dimensionamos os problemas, somatizamos angústias e imaginamos estar vivendo um inferno astral de proporções bem superiores àquelas que na realidade tem. Como frisou o meu amigo Germano Toscano de Brito, tabelião dos mais respeitados da cidade, presidente da Associação dos Notários e Registradores, “problemas não surgem para te parar, mas para de forçar a ir para a frente”.
Nessas ocasiões é preciso ter serenidade, fé, e a motivação como a melhor terapia. Mergulhar com paixão naquilo que nos empenhamos a fazer todos os dias, nos prazeres que nossa profissão oferece, nas recompensas que certamente chegam aos que, como numa construção, colocam um tijolo por dia na obra de sua vida. Volto ao velho Abelardo Jurema: “ meu filho, todos os dias antes de dormir eu penso se coloquei um tijolo e só me deito tranqüilo quando percebo que a construção continua subindo”.
Já a minha mãe, que sempre foi uma guerreira e enfrentou com valentia todas as vicissitudes provocadas pelo exílio do seu marido, tinha outra forma de encarar os problemas e oferecer lhes a real dimensão. Quando se defrontava com uma dificuldade financeira lembrava a frase do seu pai e meu avô, o coronel Oswaldo Pessoa, que era um homem rico e que morreu por conta de uma doença incurável: “minha filha, feliz do problema que o dinheiro resolve”.
Vez por outra enfrentamos obstáculos. Peças que o destino nos prega para que a gente possa enxergar melhor, reavaliar conceitos, aprender novas lições. Mas nada me tira do rumo, aflige a minha alma ou enfraquece o meu espírito. O trabalho com paixão e a fé em Deus são os antídotos para combater qualquer estresse.