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Abraço dos afogados

Enquanto empossava Lula da Silva na Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff atacou o juiz Sérgio Moro e prometeu processá-lo pelo grampo que mostrou ao país o acerto feito para salvar o antecessor da Justiça. Mas nem dentro do Palácio do Planalto, que estava cercado pela guarda presidencial, evitou vexame. O deputado Major Olimpio (SD-SP) interrompeu a solenidade aos gritos de “Vergonha, vergonha!”.

Antes do meio dia já havia decisão judicial anulando a posse. E no Supremo, 10 outras ações esperavam despachos. E foi lá, na mais alta Corte do País, que se ouviu a mais dura condenação ao ex-presidente Lula e a conversa na qual afirma que a Corte está “acovardada”.

A resposta coube ao ministro Celso de Mello, o mais antigo do Supremo: “Esse insulto ao Poder Judiciário, além de absolutamente inaceitável e passível da mais veemente repulsa por parte desta Corte Suprema, traduz, no presente contexto da profunda crise moral que envolve os altos escalões da República, reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência do império da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de Juízes livres e independentes”.

No Senado, o paraibano Cássio Cunha Lima fez discurso histórico. Foram tantos os apartes que teve que selecionar quem falaria em virtude da limitação do seu tempo.Selecionei três trechos de sua fala.

Sobre a tentativa de obstrução da Justiça: “Até que ponto vai o escárnio? Até que ponto vai o desrespeito? Até que ponto vocês vão continuar batendo na nossa cara? Por que, a cada dia, a cada instante, tem uma bofetada que o povo brasileiro leva na sua face…”.

Sobre envio a Lula do termo de posse: “O que faria um Governador, um Prefeito deste Brasil mandar o termo de posse para a casa de um secretário e dizer ao telefone: olhe, estou lhe mandando e você use só se for preciso. E qual a necessidade que teria?”.

Sobre o grampo: “Na República qualquer um pode ser investigado. A partir da interceptação telefônica legal, absolutamente legal, nesse encontro fortuito, infelizmente – não vejo isso com alegria – a Presidente da República foi flagrada numa obstrução nítida à Justiça”.

Na Câmara, a Comisão de Impeachment foi instalada e a Presidente já foi notificada. Começa a contar o prazo de 10 sessões para sua defesa. Dilma e Lula tentaram salvar um ao outro. Estão se afogando.

TORPEDO

“O que não podemos aceitar, a meu sentir, é que os valores sejam subvertidos e Sérgio Moro, que numa coragem cívica e firmeza ética impressionantes no combate à corrupção, seja transformando em vilão, como desejam os figurões do PT.”

Do vereador Bruno Farias (PPS), autor de voto de aplausos ao juiz federal Sérgio Moro, aprovado pela Câmara de JP.

Incrível!

O PP, liderado pelo paraibano Aguinaldo Ribeiro, indicou Paulo Maluf, réu em três ações no STF e condenado por lavagem de dinheiro na Franca, presente na lista da Interpol, para a comissão de impeachment.

Rompimento

O presidente do PMDB da Paraíba José Maranhão assumiu a defesa do rompimento com Dilma. Disse que seu partido, que sempre esteve na vanguarda, não fica confortável em pactuar com o que está acontecendo.

Efeito dominó

O PMDB pode antecipar decisão sobre desembarque do governo, prevista para abril. Se romper, pode arrastar outros partidos da base, como PTB, que tem 20 deputados. O PRB, com 21, foi o primeiro a deixar Dilma.

Virada

O Mapa do Impeachment do Vem Pra Rua mostrava, ontem, que mais 47 deputados passaram a apoiar o impeachment, elevando para 217 os a favor. Dilma perdeu cinco votos e agora tem 123, e os indecisos são 172.

ZIGUE-ZAGUE

Por 29 votos a 2, a Paraíba decidiu sua posição na reunião de hoje do Conselho Federal da OAB: vai apoiar o pedido de impeachment da presidente Dilma.

O presidente Paulo Maia disse que a posição não resulta de viés político. O vice, Raoni Vita sustentou que as várias ilicitudes precisam ser averiguadas.

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