
O Congresso Nacional analisa uma proposta que altera a convenção entre o Chile e o Brasil para evitar dupla tributação sobre uma mesma renda. A medida moderniza pontos sobre royalties, procedimento amigável, troca de informações entre administrações tributárias, entre outros. As informações são do R7, parceiro nacional do Portal Correio.
A matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados e está pronta para ser analisada pelo plenário do Senado. Por se tratar de um projeto de decreto legislativo, entra em vigor assim que receber o aval dos senadores e for promulgado pelo Congresso, sem a necessidade de sanção presidencial.
Para entender o que essa alteração significa na prática, o R7 conversou com alguns especialistas que explicaram o efeito da medida para a economia, o comércio bilateral e as empresas.
Durante anos, o Brasil foi o principal parceiro comercial do Chile na América Latina, e o país chileno foi o segundo maior parceiro brasileiro na América do Sul, como contextualiza o especialista em direito tributário Marco Ruzano.
Ele entende que o protocolo é uma tentativa de acompanhar as mudanças nas formas como ocorrem as transações financeiras internacionais, que representam um grande desafio para as nações em um mundo cada vez mais globalizado.
O risco de dupla tributação é algo que preocupa os empresários, pois o cenário atual é de incerteza, de acordo com os especialistas. O especialista em administração e finanças Leonardo Roesler explica que a bitributação encarece o custo do capital estrangeiro, pois trava operações econômicas legítimas.
Ruzano pontua que, se aprovado, o protocolo pode ajudar a combater a evasão fiscal ao “fixar mecanismos para excluir do mercado aqueles players [de mercado] que não agem dentro da esperada conformidade fiscal”.
A atualização do acordo entre Brasil e Chile é um avanço para a segurança jurídica de empresas brasileiras que operam no exterior.
O especialista em direito internacional empresarial Marcelo Godke afirma que antes havia lacunas sobre a definição de residência fiscal e a tributação de rendimentos típicos de operações transnacionais, o que elevava o risco de dupla tributação.
“Essas incertezas muitas vezes geravam interpretações divergentes pelas autoridades tributárias dos dois países, com risco de ter a mesma renda tributada simultaneamente no Brasil e no Chile”, diz.
Se a mudança for feita, as práticas tributárias estarão alinhadas com as práticas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Essa estrutura é responsável por monitorar o crescimento econômico e fornecer boa governança entre Estado e empresas.
Para o economista Hugo Garbe, essa adaptação “corrige assimetrias que, até então, penalizavam operações legítimas com dupla incidência tributária e incertezas normativas”.
Apesar de ter sido planejado para ter equilíbrio no comércio entre os dois países, o protocolo deve favorecer investimentos do Chile no Brasil no curto prazo, como avalia Godke.
Ele explica que, por o Brasil ser a maior economia da América do Sul e ter uma estrutura de consumo diversificada, os chilenos veem no país uma oportunidade de expansão.
“A atualização do acordo, ao eliminar entraves tributários e trazer maior previsibilidade às operações, reduz barreiras que antes dificultavam a alocação de capital chileno no país. Além disso, setores como energia [particularmente energias renováveis], varejo, logística e agronegócio, que já atraem empresas chilenas para o Brasil, tornam-se ainda mais atrativos”, afirma.
Apesar disso, os resultados devem ser positivos para as duas nações e promete estimular o comércio bilateral. Roesler entende que, se aprovado, o projeto vai permitir que empresas brasileiras e chilenas atuem em ambos os países com maior previsibilidade e menor custo tributário.
“A aprovação definitiva do projeto não é apenas desejável, é indispensável para que os países avancem juntos rumo a uma integração econômica mais sólida e eficiente. Trata-se de uma decisão política com efeitos práticos imediatos, que precisa ser reconhecida e celebrada como sinal de maturidade institucional e compromisso com um ambiente de negócios mais moderno e competitivo”, reforça o especialista.
*Sob supervisão de Leonardo Meireles
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