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Agave da Para?ba

Duas cenas reacenderam as imagens que trago de Serraria quando li a crônica de Gonzaga Rodrigues, na semana passada, dissecando sobre os bons tempos quando a produção de agave predominava no Curimataú, também nas terras de brejos e sertões, dando condições de sobrevivência para milhares de homens do campo.

Lembro-me dos carros de boi cortando as estradas, subindo e descendo serras carregando folhas para as máquinas de desfibramento e da usina de Antônio Carvalho, preparando os fardos das fibras que seriam comercializados para Amsterdã, e outros lugares que nem sequer sabíamos onde ficavam.

As plantações acolhiam a mão de obra que sobrava do eito dos engenhos quando chegava o verão, dando trabalho desde o corte e ao desfibramento, utilizando motor movido a óleo diesel ou à máquina manual, fixados na sombra de uma árvore, ou num possante toco de madeira debaixo de uma latada. No silêncio do vasto Curimataú desabitado, com sol a pino, quando as aves se escondiam no que restava de moitas de marmeleiro, o que se escutava era o ronco do motor produzindo fibras.

Nos dias de feira nas cidades de Barra de Santa Rosa e por toda a região curimatauzeira, até acercar-se do Brejo, viam-se chegar caminhões, carros de boi ou lombo de animais, com, a produção para vender nos entrepostos. Falo de dois compradores a mim familiares em Arara: Joaquim Zone e Manuel Cazuza, meu sogro. Estes compravam tudo o que se produzia e repassavam para Antônio Carvalho.

Com a chegada dos incentivos da Sudene priorizando a fibra sintética, houve desaquecimento da produção em toda a região, com crescente número de desempregados. Os Estados que preservaram seus plantios estão se dando bem porque, agora com a moda de preservação ambiental, os fios sintéticos trazem enorme prejuízo ao meio ambiente.

Quando as cordoarias estavam abarrotadas, surgiu o artesanato para consumir a produção. Hoje há carência do produto. No Curimataú as plantações de agave deixavam os esturricados e pedregosos terrenos em verdes nos campos, uma bela paisagem. Certa vez, no tempo de seca que consumiu todo o pasto, vi criadores salvando o rebanho com tronco do agave.

Outro dia, viajando pelo Curmataú, lembrei-me dos tempos de bonança desta cultura que também tinha presença marcante na região onde nasci, mesmo com a predominância dos engenhos e de outras lavouras. Muitas vezes andei em carro de boi com meu tio Manuel, carreiro profissional transportando agave, para os motores de tio Pedro Mendes desfibrar.

Noutras oportunidades também achava bom andar na garupa dos jumentos ou de burro mulo segurando no cabeçote da cangalha, quando iam ao campo para transportar agave.

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