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Ai que saudade me d

Às vésperas do dia dos Pais minha irmã Vanita, a única que permanece até hoje no Rio de Janeiro onde vive com o marido e as filhas, enviou-me um email com cópia da coluna do jornalista Claudio Humberto, publicada recentemente num jornal carioca, em que conta um episódio marcante vivido pelo nosso pai quando ele estava exilado em Lima durante o Regime Militar. Sob o título “O Bom Exílio”, diz a nota:

– “Paraibano de Itabaiana, Abelardo Jurema teve um vida pública tão rica quanto estonteante. Foi eleito deputado federal em 1958 e 1962, depois nomeado Ministro da Justiça do Governo João Goulart. Com o Golpe Militar de 1964, ele acabaria no exílio, no Perú, onde sobrevivia vendendo charutos. Certa vez ele recebeu a visita do filho , João Luiz, que era menor e vivia no Brasil, e os dois passaram uma boa temporada juntos.

Certa vez, enquanto passeavam pelas ruas da capital peruana, o menino surpreende o pai: “queria que esse exílio nunca mais acabasse”, disse o garoto, para espanto do ex-ministro que mal aguentava a dor da distância da pátria, dos amigos e da família.

Diante do ar de perplexidade do pai, o João logo explicou: “No Brasil nunca passei um dia inteiro com o senhor”.

Ontem , data dedicada aos nossos pais, foi inevitável a lembrança dele, de sua presença marcante, de suas histórias e dos seus exemplos. Em casa, cercado pelo carinho dos meus filhos e netos, o meu pensamento estava voltado para aquele homem imbatível, inimitável, que nos deixou tantas lições de otimismo, de perseverança e generosidade.

Nas reuniões em família, sobretudo em datas festivas como essa, ele gostava de me ouvir cantar ao violão aquela canção do Roberto que expressa com toda intensidade esse sentimento maravilhoso de filho para pai.

– “ Seu passado vive presente, nas experiências contidas, neste coração consciente, da beleza das coisas da vida; seu sorriso franco me anima, seu conselho certo, me ensina, beijo suas mãos e lhe digo, meu querido, meu velho, meu amigo”.

Hoje, quinze anos depois de sua morte, ele permanece vivo no meu coração, me inspirando, me orientando e repetindo a frase que era o seu refrão predileto: “ a vida só gosta de quem gosta dela e só o amor constrói para a eternidade”.

Quanta saudade meu pai!

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