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Alpargatas

Quando nasci, a Alpargatas já era uma empresa madura, com quarenta anos no mercado nacional.

Fundada em 3 de abril de 1907 pelo empresário Robert Fraser, a marca faz parte da cena brasileira.

Eu, particularmente, cresci nutrindo profunda admiração pela São Paulo Alpargatas e convivendo na intimidade com muitos de seus produtos famosos.

Na área têxtil, quem não conhece os encerados Locomotiva, que cobrem a imensa maioria das cargas que trafegam pelas estradas do País? Ou já não teve, sobre a cabeça, a proteção das lonas Sempre Viva?

No segmento calçadista, os produtos são ainda mais presentes na vida do brasileiro:
Sou do tempo das Alpargatas Roda, precursoras do tênis, e calcei toda a linha que se seguiu, começando pelo Conga e o Kichute até chegar na safra Rainha e Topper e, claro, nas mundialmente conhecidas Havaianas.

As sandálias da Alpargatas são um orgulho nacional. E eu realmente me envaideço ao encontra-las nas principais vitrines do mundo.

Vibrei – e muito – quando esse gigante nacional migrou com toda sua pujança para a Paraíba, concentrando aqui grande parte de sua capacidade produtiva.

Em terras paraibanas, a São Paulo Alpargatas virou Alpargatas S.A. Mas bem que poderia ser Paraíba Alpargatas…

Maior empresa do Estado, responsável pela geração de mais de 10 mil empregos diretos (6.670 somente na unidade de Campina Grande, onde produz mais de 160 milhões de pares de Havaianas por ano), a Alpargatas é peça fundamental na economia paraibana – a que gera mais renda, a que mais exporta, a que mais emprega, a que realça o perfil econômico do Estado.

Mas, neste instante, esse gigante está envolto em expectativas – vítima da crise que atinge seu principal acionista, o grupo J&F, holding controladora da JBF dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Sim, as delações e as crises que pululam no Planalto Central transbordam na Paraíba e atingem nossa empresa mais importante.

Donos de 86 por cento das ações ordinárias e 54% do total de ações, os irmãos Batista negociam a venda da Alpargatas.

Mas esta não é uma operação simples.

Hipotecada e presa a garantias bancárias – fruto de operações de empréstimos da ordem de R$ 3,1 bilhões, feitos pelos irmãos junto à Caixa Econômica e Bradesco para a aquisição do controle acionário da empresa em 2015 – a Alpargatas coloca sua robustez a prova.

E arrasta a Paraíba para um cenário de incertezas.

O empréstimo que a J&F contratou para tomar posse da empresa – possivelmente em operações pouco republicanas, com liberação de 100 por cento do crédito, carências e prazos gigantes para quitação – vencerá no momento em que os irmãos Batistas negociarem suas ações.

A solidez da Alpargatas – sua longevidade e sucesso dentro e fora do País – tem mostrado, nessa hora tão sombria, o seu intangível valor, atraindo interesse do mercado.

Uma das negociações mais avançadas ocorre com o fundo de participações Cambuhy, que conta com recursos da família Moreira Salles e parceria da Itaúsa, holding da família controladora do Itaú.

Como ocorre em toda troca de comando, a instabilidade emocional se instala, gerando expectativa de mudanças – entre acionistas, funcionários e, obviamente, na região onde a empresa se insere.

Com base bem firmada em São Paulo, os virtuais novos donos da Alpargatas poderiam empreender o caminho de volta para o Sudeste?

As negociações de venda tramitam de forma sigilosa e devem estar concluídas até agosto.

Apesar de todo o segredo que cerca a transação, certamente o Governo da Paraíba deve estar acompanhando todo o processo com uma lupa, demonstrando que a empresa fez a melhor opção ao escolher a Paraíba.

Pois uma questão está clara para todos os paraibanos: não podemos correr o risco de perder a Alpargatas.

Esse gigante é nosso!

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