Durou cerca de três horas a reunião com pelo menos 30 deputados, na manhã desta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), em João Pessoa, para decidir a situação da deputada estadual Estela Bezerra (PSB). Ela foi presa na sétima etapa da Operação Calvário, deflagrada pela Polícia Federal e Justiça da Paraíba. A deputada Cida Ramos, investigada no caso, esteve na Casa, mas evitou a imprensa.
Em maio deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que prisões de deputados estaduais decretadas pela Justiça podem ser revogadas pelas Assembleias Legislativas.
O deputado Raniery Paulino (MDB), líder da oposição, disse ao Correio Debate, da Rede Correio Sat, que a ALPB aguarda que a Mesa Diretora receba do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) a notificação oficial para que seja convocada sessão extraordinária que vai deliberar sobre a situação de Estela. Ele explicou que a oposição vai se reunir para discutir em conjunto sobre a situação da deputada, mas cada um deverá votar “de acordo com a consciência”.
Segundo apuração da Rede Correio Sat, a ALPB teve a segurança reforçada pela Polícia Militar do Estado e a Praça dos Três Poderes, no Centro de João Pessoa, teve o trânsito fechado.
Foi deflagrada, na manhã desta terça-feira (17), a sétima fase da Operação Calvário, batizada como ‘Juízo Final’. O ex-governador da Paraíba e presidente estadual do PSB, Ricardo Coutinho, é alvo de mandado de prisão preventiva. Ele não está no Brasil. Devido a este motivo, foi solicitada a inclusão do nome do ex-governador na difusão vermelha da Interpol (organização internacional de polícia criminal). Dezenas de ordens judiciais são cumpridas nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Goiânia e Paraná.
A Justiça também mandou prender a deputada estadual Estela Bezerra (PSB); a prefeita de Conde, Márcia Lucena (PSB); o ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro; a ex-secretária da Saúde do Estado, Claudia Veras; o ex-secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, Waldson de Souza; Coriolano Coutinho, irmão de Ricardo Coutinho; Bruno Miguel Teixeira de Avelar Pereira Caldas; José Arthur Viana Teixeira; Benny Pereira de Lima; Breno Dornelles Pahim Neto; Francisco das Chagas Ferreira; Denise Krummenauer Pahim; David Clemente Monteiro Correia; Márcio Nogueira Vignoli; Valdemar Ábila, Vladimir dos Santos Neiva; e Hilário Ananias Queiroz Nogueira.
Até a publicação desta matéria, a Polícia Federal não tinha confirmado quais prisões já haviam sido concretizadas. Cerca de 350 policiais federais, procuradores da República e auditores da Controladoria-Geral da União participam da operação.
A etapa ‘Juízo Final’ apura desvio de R$ 134,2 milhões de recursos públicos destinados a serviços de saúde na Paraíba, por meio de fraudes em procedimentos licitatórios e em concurso público, corrupção e financiamento de campanhas de agentes políticos, bem como superfaturamento em equipamentos, serviços e medicamentos. As investigações apontam que, do montante desviado, R$ 120 milhões teria sido usado para financiar campanhas nas Eleições Estaduais de 2010, 2014 e 2018. Veja aqui detalhes da investigação.
O desembargador Ricardo Vital destacou serem gravíssimos os crimes atribuídos aos investigados, inserindo-se no rol das infrações penais de elevado potencial ofensivo. “Trata-se, na hipótese, de apuração de crimes de relevo, que subtraem dinheiro da saúde e da educação de forma perniciosa, trazendo vultoso prejuízo a toda a sociedade paraibana. Assim, diante do porte do esquema que se pretende desembaraçar, cumulado com a forte articulação dos envolvidos, sopesa-se contundente sugestão fática e real de periculosidade a deferir a constrição”, ressaltou. Confira aqui a íntegra a decisão: