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Analfabetismo financeiro

O que é uma taxa de juros?

Como se elabora um orçamento?

E como uma criança percebe que dez cédulas de um real valem menos do que uma cédula de R$ 20?

Estudando, claro.

Mas, infelizmente, não existe em nenhum vão da grade curricular do ensino brasileiro – seja na fase fundamental, seja no ensino médio – qualquer tipo de disciplina que prepare nossos jovens para lidar com o dinheiro.

Nossos alunos entram e saem das escolas sem jamais ter acesso a noções monetárias – nem as mais elementares.

Não se sabe conceitos de moeda, cálculos de juros, nem mensurar rentabilidade de investimentos financeiros. Até mesmo operações seculares como a poupança suscitam dúvidas.

Nossas crianças não são instruídas, por exemplo, a administrar suas mesadas. Mais adiante, também não terão capacidade de planejar um orçamento financeiro familiar. E fatalmente, quando chegarem à idade produtiva, farão confusão entre apurado e lucro – construindo, dessa forma, mais uma “lápide” no grande cemitério de empresas que sepulta a iniciativa empresarial no País.

É por todas estas razões – e mais tantas outras – que ouso dizer que trata-se de um grande equívoco não ensinar educação financeira nos bancos escolares.

Pois é possível que muitas matérias, disponibilizadas ao longo da carreira escolar, sejam descartadas na fase adulta. Não é o caso, porém, das questões financeiras.

Homens e mulheres – abastados ou não – jamais podem prescindir da educação financeira. A vida mostra que é preciso ter um mínimo de discernimento para operar o dinheiro.

Ignorâncias levam ao endividamento, às artimanhas e emboscadas do mercado financeiro – entre as quais destaco os cartões, que atraem com crédito fácil e aprisionam com taxas de juros que podem ultrapassar 500% ao ano.

São tantas vítimas da ignorância que – assim espero – algum parlamentar iluminado (da bancada paraibana, quem sabe?) apresente projeto de lei criando disciplinas de educação financeira (em diferentes níveis de complexidades) nas diversas fases educacionais estabelecidas no País.

Pois no mundo de hoje, em que tudo muda a todo instante – alterando dramaticamente o valor do dinheiro – não ter educação financeira é algo próximo (perigosamente próximo) do analfabetismo.

Em tempo: se você está desde o terceiro parágrafo acreditando que dei exemplo claro de ignorância financeira quando mencionei cédula de um real, faço o adendo: legalmente a unidade monetária R$ 1,00 continua a existir em cédula no Banco Central, mesmo fora de circulação e sem ser mais emitida pela Casa da Moeda desde 2005.

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